Nova Fase no Oriente Médio: Narrativas e Estratégias Diplomáticas
A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase, marcada não mais pelos bombardeios e baixas, mas por versões conflitantes, silêncios estratégicos e complexas encenações diplomáticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma categoricamente que está em curso uma operação, mas a disputa se concentra em narrativas e interesses.
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O especialista em comunicação política, Amauri Chamorro, analisa a situação, destacando que o conflito central reside na questão da rendição ou resistência do Irã aos Estados Unidos.
A Disputa Fundamental: Rendição ou Resistência
Segundo Chamorro, que proferiu suas análises no , da Rádio Brasil de Fato, o que está em jogo é se o Irã se rendeu ou não aos Estados Unidos. “Isso é fundamental”, afirma. Os Estados Unidos precisam demonstrar internamente alguma vitória, justificando as baixas militares e o alto custo da operação, que, até o momento, não parece ter sido bem-sucedida.
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O Irã, por sua vez, não pretende ceder essa vitória.
A Armadilha da Mesa de Diálogo
Uma proposta de mesa de diálogo, com mediação sugerida pelo Paquistão e pela Turquia, surge inicialmente como um caminho para a paz. No entanto, Chamorro a considera uma armadilha. Uma proposta de 15 pontos incluiria o controle total do Estreito de Ormuz e a redução de mísseis balísticos, efetivamente desarmando o país.
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Analogia do Desarmamento
Chamorro utiliza uma analogia para ilustrar o raciocínio iraniano: imagine que você tem armas para se defender e alguém exige seu desarmamento em troca de um levantamento do bloqueio. Se você aceita e, no momento seguinte, é invadido. Essa é a situação do acordo nuclear anterior, desfeito por Trump em 2018. “Chegar a sentar numa mesa de negociação oficialmente já é, de alguma maneira, um cheque em branco”, explica o especialista.
Riquezas e Soberania do Irã
O Irã não está defendendo apenas um regime político; está protegendo suas vastas reservas de petróleo e gás, além de sua soberania. O país é rico, estratégico e possui uma história milenar. O conflito, portanto, transcende a questão da liberdade ou da mudança de regime, concentrando-se no controle de riquezas e na defesa da soberania do povo iraniano.
A Recusa Iraniana e a Comunicação
A recusa iraniana em ceder, materializada na permissão para que navios atravessem o Estreito de Ormuz, contrariando a imposição dos EUA, é também uma ação comunicacional. “O Irã está mostrando ao mundo que tem o controle daquele território”, afirma Chamorro.
A Solidão do Império: Europa e a Otan
Um aspecto revelador do momento geopolítico é o silêncio dos aliados europeus. Diferentemente da invasão do Iraque, onde países como a França e a Inglaterra enviaram tropas, a Otan se recusou a entrar em campo. “A Otan, neste momento, demonstra que não existe.
O que existe são os Estados Unidos”, sentencia Chamorro.
Pragmatismo e Realpolitik
Os países europeus compram petróleo do Irã diariamente, assim como compram de outros países sob bloqueio. Isso demonstra um pragmatismo que contrasta com a retórica de liberdade e democracia. O sistema capitalista, segundo Chamorro, cria mecanismos para burlar suas próprias leis.
A Turquia e o Esfacelamento da Aliança
A recusa da Turquia em participar de qualquer conflito contra o Irã, devido à sua fronteira seca e relações com ambos os países, contribui para o esfacelamento da aliança militar ocidental. “A relação entre Turquia e Irã é de séculos. Eles estão super bem com os Estados Unidos, super bem com a China, super bem com o Irã.
Não vão usar o espaço aéreo deles para bombardear ninguém”, questiona Chamorro.
A Derrota Silenciosa dos Estados Unidos
Além da conjuntura imediata, Chamorro propõe uma leitura de longo prazo: os Estados Unidos acumulam derrotas militares e políticas há décadas, mas o imaginário de invencibilidade do império permanece intocado. “Os Estados Unidos perderam a guerra da Coreia, levaram uma surra no Vietnã, não ganharam a guerra do Iraque, não ganharam a guerra do Afeganistão.
Eles não conseguiram vencer as guerrilhas locais, não conseguiram instalar governos, não conseguiram administrar esses países”.
Um Perigo para o Mundo
O Irã se recusa a ser o troféu que falta na prateleira das vitórias estadunidenses. “Eu duvido que o Irã vá entregar essa primeira vitória em quase 80 anos para os Estados Unidos”.
Lições para o Brasil
Ao final, Chamorro conecta a análise à realidade brasileira. As lições desse momento, segundo ele, servem para iluminar os embates internos no país. “Isso serve, na verdade, para setores da oposição brasileira, fascistas, genocidas, que apoiam o Estado de Israel cometendo genocídio, que apoiam os Estados Unidos e batem continência para um país estrangeiro.
A gente não pode ter medo de enfrentar isso”.
