A tensão entre Donald Trump e a Europa se intensifica com a ameaça de tarifas, mas uma guerra comercial foi evitada. Descubra os desdobramentos!
A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países que se opõem à sua tentativa de anexar a Groenlândia foi desfeita, assim como a possibilidade de uma guerra econômica com a Europa, um dos principais parceiros comerciais dos EUA.
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Na quarta-feira (21), Trump anunciou o cancelamento das tarifas prometidas.
A Europa estava considerando medidas de emergência contra os Estados Unidos, já que a exigência de Trump para que a Europa cedesse um território de um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ou enfrentasse tarifas punitivas era uma linha que os líderes europeus não estavam dispostos a permitir que ele cruzasse sem resistência.
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Não está claro se as ameaças da UE de retaliar com suas próprias medidas comerciais ou a decisão de suspender a ratificação do acordo comercial com os EUA motivaram Trump a recuar. Independentemente da razão, uma guerra comercial indesejada parece ter sido evitada, pelo menos por enquanto.
Na mesma quarta-feira (21), legisladores da UE decidiram suspender a ratificação de um acordo comercial com os EUA, que previa uma taxa de 15% sobre a maioria dos produtos importados do bloco, com algumas exceções, como produtos farmacêuticos. O acordo também incluía um compromisso da UE de adquirir US$ 750 bilhões em produtos energéticos dos EUA.
Em resposta às ameaças de Trump, a UE poderia ter reativado um pacote de tarifas retaliatórias no valor de € 93 bilhões (US$ 109 bilhões), elaborado no ano anterior. Esse pacote visava produtos que variavam de soja americana a uísque, podendo representar um golpe político para Trump, que enfrenta eleições de meio de mandato ainda este ano.
Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, destacou que esse pacote foi projetado para atingir estados republicanos e agrícolas, o que poderia ter um impacto negativo significativo nessas regiões.
A UE poderia ter ido além das tarifas e acionado o chamado Instrumento Anticoerção, que permite ao bloco impor sanções a parceiros comerciais. Esse mecanismo possibilita a imposição de controles às exportações europeias para os EUA, a introdução de novas tarifas e a limitação de investimentos de empresas americanas na Europa.
Carsten Brzeski, chefe global de pesquisa macroeconômica do ING, afirmou que essa ferramenta pode causar danos significativos aos interesses comerciais dos EUA, desde que um número suficiente de Estados-membros concorde. Ele descreveu o instrumento como uma “bazuca” que pode ser utilizada de forma cirúrgica.
Os países da UE detêm coletivamente US$ 8 trilhões em ações e títulos americanos, tornando-se o maior credor dos Estados Unidos. George Saravelos, do Deutsche Bank, sugeriu que a Europa poderia se desfazer da dívida pública americana como retaliação à anexação da Groenlândia, o que poderia aumentar os custos de empréstimo nos EUA.
No entanto, Kirkegaard considerou essa ideia uma fantasia, pois desfazer-se da dívida teria um efeito contrário, reduzindo o valor das reservas restantes do Tesouro. Uma disputa comercial poderia ter custado caro tanto para os EUA quanto para a Europa, com Trump ameaçando tarifas de 30% ao bloco europeu, o que poderia elevar os preços nos EUA e afetar a confiança empresarial.
Além disso, a retaliação poderia ter consequências perigosas, levando Trump a abandonar políticas cruciais para a Europa. Brzeski questionou a possibilidade de que a imposição de tarifas pela Europa pudesse resultar em uma resposta do governo americano que afetasse o apoio à Ucrânia, ressaltando a complexidade das relações comerciais atuais.
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Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.