Trump se prepara para nomear novo presidente do Federal Reserve e assumir a responsabilidade pela economia. Críticas a Biden e Powell aumentam. O que esperar?
O presidente Donald Trump anunciou sua intenção de indicar um novo presidente para o Federal Reserve ainda este mês. Com essa decisão, Trump assumirá a responsabilidade pela economia, que será oficialmente sua, para o bem ou para o mal. Durante o primeiro ano de seu segundo mandato, o ex-presidente Joe Biden e o atual presidente do Fed, Jerome Powell, têm sido alvos de críticas por parte de Trump, que os acusa de má gestão econômica e de permitir a alta descontrolada dos preços.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As justificativas de Trump para a situação econômica estão perdendo força. A primeira delas é a culpa atribuída a Biden. Embora Trump continue a criticar Biden pela inflação elevada, o ex-presidente está fora do cargo há 12 meses. Pesquisas recentes indicam que 61% dos americanos acreditam que as políticas de Trump pioraram a economia, um percentual maior do que os que responsabilizam Biden pela situação atual.
Outra justificativa de Trump é a crítica a Jerome Powell, sua escolha para a presidência do Fed em 2017. Desde que reassumiu a presidência, Trump tem atacado Powell, que reconheceu a resposta tardia do banco central à inflação em 2021 e 2022. Trump argumenta que a redução das taxas de juros poderia ajudar a reaquecer o mercado imobiliário, embora Powell tenha sido uma escolha feita por ele mesmo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Com a expectativa de que um novo presidente do Federal Reserve seja nomeado em maio, quando o mandato de Powell expira, Trump poderá reivindicar a economia como sua. No entanto, essa situação pode ser arriscada politicamente, especialmente considerando que as tarifas implementadas por Trump afetaram negativamente o dólar neste ano.
Um dos riscos do jogo de culpa econômica de Trump é a expectativa exagerada sobre o que o novo presidente do Fed poderá realizar. Embora tenha influência sobre o Comitê Federal de Mercado Aberto, o presidente do Fed não pode definir unilateralmente as taxas de juros.
Trump terá várias nomeações a fazer no banco central, e a escolha de aliados pode facilitar a implementação de taxas mais baixas, mas isso não é garantido.
Mesmo que o novo presidente do Fed consiga reduzir as taxas em 2026, isso pode não ter o efeito desejado. Taxas de juros mais baixas podem facilitar empréstimos para empresas, mas também podem elevar os preços. O impacto das mudanças nas taxas pode levar meses para se manifestar, e o Fed já reduziu as taxas em três reuniões consecutivas no final de 2025.
Embora taxas de juros mais baixas possam ajudar a reduzir os custos de hipotecas, elas não resolvem o problema da alta nos preços das moradias, que é amplamente causado pela escassez de oferta. De acordo com o Goldman Sachs, os EUA precisam construir 4 milhões de casas a mais para atender ao crescimento populacional, o que agrava a acessibilidade em áreas metropolitanas como Nova York e São Francisco.
Além disso, taxas hipotecárias mais baixas podem aumentar a desigualdade de riqueza, permitindo que proprietários refinanciem suas hipotecas, mas sem adicionar a oferta necessária ao mercado. A realidade é que o presidente não tem controle total sobre a economia, que é um sistema complexo de US$ 30 trilhões.
Trump já implementou políticas que impactaram a acessibilidade financeira dos americanos, tanto positivamente quanto negativamente. As tarifas, por exemplo, aumentaram os custos para as famílias em US$ 1.100 em 2025, segundo a Tax Foundation. Embora o projeto de lei de gastos e impostos de Trump possa resultar em restituições maiores em 2026, ele também pode retirar milhões do Medicaid.
Essas políticas, embora relevantes, não resolvem os problemas estruturais da economia, como o aumento do desemprego e a inflação persistente. A mensagem de Trump sobre uma economia em crescimento não convence muitos americanos que enfrentam dificuldades financeiras.
Com as eleições parlamentares se aproximando, a responsabilidade pela economia pode recair sobre Trump em um momento crítico, quando o mercado de trabalho e o poder de compra estão em declínio.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.