Trump adota nova estratégia de sanções contra o Irã, mas hesita em endurecer postura com a China

A nova estratégia de sanções contra o Irã pode impactar severamente sua economia, mas a hesitação em relação à China levanta dúvidas sobre sua eficácia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, visitam o Templo do Céu, em Pequim, 14 de maio de 2026 14 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci

A administração Trump está adotando uma nova estratégia em seu conflito com o Irã, que envolve a ameaça de sanções econômicas severas. O Secretário do Tesouro classificou essas medidas como as “sanções mais duras da história”, enfatizando que elas têm potencial para levar ao colapso do regime iraniano.

Para ilustrar a gravidade da situação, ele comparou essa abordagem a invasões históricas, como a ocupação da França pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, para que essas ameaças se concretizem, é imprescindível não apenas endurecer a postura em relação ao Irã, mas também implementar uma linha dura contra a China. A administração Trump tem demonstrado relutância em adotar essa postura.

Durante uma apresentação sobre a nova estratégia econômica, Bessent não mencionou países específicos que poderiam ser punidos e não definiu prazos para ações. Além disso, não foram anunciadas sanções secundárias contra os grandes bancos chineses que facilitam as compras de petróleo iraniano por Pequim, que consome até 90% do petróleo do Irã.

Impacto das sanções na economia iraniana

Economistas ouvidos pela CNN afirmaram que direcionar as sanções contra bancos e empresas chinesas seria crucial para causar um impacto significativo na economia do Irã. Apesar disso, Bessent evitou entrar em detalhes sobre quais medidas seriam tomadas nessa direção.

Ele mencionou que “ninguém está fora do alcance das sanções dos EUA”, mas foi vago sobre o futuro da relação com a China.

“Se eles facilitarem transações e fizerem parte do ecossistema que transforma o petróleo iraniano em dinheiro e em repressão, serão alvos de sanções”, alertou Bessent. Ele defende que a melhor forma de lidar com os países é por meio de diplomacia discreta, garantindo que quando as ações do Tesouro dos EUA recaírem sobre eles, não terão como culpar ninguém além de si mesmos.

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Entretanto, há quem veja essa retórica como barulho sem efeito prático. O governo já recuou em diversas ocasiões diante de suas próprias ameaças no contexto da disputa com o Irã e tem sido cauteloso em sua abordagem com a China. O líder chinês deve visitar a Casa Branca no próximo mês e isso pode influenciar ainda mais as decisões da administração Trump.

Histórico de concessões à China

Trump frequentemente alardeia uma postura firme contra a China, mas recuou na guerra comercial em outubro passado ao aceitar uma trégua após Pequim restringir o acesso a minerais essenciais e interromper compras de soja americana. No ano anterior, ignorou leis federais para tentar salvar o Tik Tok, um aplicativo de propriedade chinesa classificado anteriormente como uma séria ameaça à segurança nacional.

Além disso, Trump evitou pressionar Xi publicamente sobre questões relacionadas à Taiwan e fez concessões retóricas quanto à ilha. Ele também se afastou de promessas anteriores de exigir a libertação de Jimmy Lai — ex – magnata da mídia hongkonguesa — e não tomou medidas efetivas para proibir compras de terras agrícolas americanas por parte da China ou revogar vistos para estudantes chineses.

Ainda assim, apesar das provocações feitas por Pequim nos últimos meses, Trump minimizou qualquer necessidade de retaliação ou punição. Em vez disso, parece ter usado essas tensões para reforçar suas alegações infundadas sobre fraude eleitoral.

Diplomacia discreta ou inação?

No tocante ao Irã, Trump manteve uma postura branda frente à ajuda da China ao país persa. Em várias declarações públicas, ele descartou ideias de que Pequim estaria colaborando com Teerã. Ao retornar da China em maio passado, mesmo enquanto buscava um acordo com o Irã, ele insinuou possíveis incentivos envolvendo a China.

Na segunda – feira (24), quando questionado pela CNN sobre por que as importantes sanções secundárias previstas ainda não haviam sido implementadas, Bessent respondeu: “Estamos dando a todos a oportunidade de corrigir condutas inadequadas”. Ele ponderou: “Por que eu iria querer implodir o sistema financeiro global?” Essa declaração sugere um reconhecimento claro das consequências complexas que podem surgir ao adotar uma postura dura tanto contra o Irã quanto contra a China.

Diante desse cenário delicado e cheio de nuances políticas, fica evidente que Trump pode optar por abordar esses temas durante a visita estatal de Xi à Washington no próximo mês. Contudo, essa pompa pode acabar minando sua disposição para adotar uma postura realmente firme neste momento crítico.