Retração no Plantio de Trigo em São Paulo para a Próxima Safra
O cultivo de trigo no estado de São Paulo deve apresentar uma diminuição na área plantada na próxima safra, devido a um mercado global com ampla oferta e preços em baixa. Essa incerteza para o ciclo de inverno foi o foco da primeira reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, realizada na quinta-feira (5).
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Ruy Zanardi, novo presidente da Câmara Setorial, destacou que este é um momento crucial para o planejamento dos produtores. “A situação do mercado mundial do grão pode resultar em uma redução da área plantada em São Paulo este ano. O trigo continua sendo uma das melhores opções para as culturas de inverno, especialmente pela liquidez garantida pela indústria de moagem paulista”, afirmou.
Desafios Financeiros e Climáticos
Relatos de cooperativas confirmam que os desafios financeiros e as condições climáticas são os principais obstáculos para 2026. A Capal Cooperativa Agroindustrial estima uma queda de 20% na área de trigo em comparação ao ciclo anterior.
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Airton Rodrigues, coordenador técnico, ressaltou o desânimo entre os produtores: “A parte financeira deve estar alinhada à qualidade para que o plantio seja viável. Os produtores enfrentam riscos climáticos e precisam de segurança para investir”.
Redução nas Áreas de Cultivo
A Cooperativa Castrolanda também relatou uma significativa redução nas áreas de inverno, com o cultivo de trigo diminuindo de 5.700 para 4.590 hectares. Jeandro Oliveira, consultor agrícola, explicou que o atraso na colheita da soja afetou o cronograma de plantio.
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Além disso, a Cooperativa Holambra apresentou um cenário mais estável, prevendo manter os 25 mil hectares de 2025, mas com a cevada se destacando como uma concorrente, aumentando de 2 mil para 5 mil hectares este ano.
Impactos Geopolíticos e Logísticos
A Ourosafra alertou sobre os impactos geopolíticos nos custos de produção, especialmente em fertilizantes nitrogenados e combustíveis. A Cooperativa Agrícola de Capão Bonito observou que o ciclo da soja se estendeu em 30 dias, levando muitos produtores a optarem pelo milho safrinha tardio em vez do trigo.
Nélio Uemura, engenheiro agrônomo, comentou que a eficiência do plantio pós-soja é notável, com semeadura ocorrendo em até 24 horas após a colheita, prevendo manter os 4 mil hectares do ano anterior.
Análise do Mercado Global
Jonathan Pinheiro, especialista em análise de conjuntura, destacou que o mercado mundial está em um período de oferta abundante, com produções recordes na Argentina e estoques confortáveis. O trigo argentino continua competitivo, mantendo forte presença em países como Indonésia, Vietnã e Bangladesh.
Pinheiro explicou que, com a elevada oferta, é difícil prever aumentos de preços no Brasil, o que desestimula os produtores a investirem em novas áreas. Ele também comentou sobre os conflitos no Oriente Médio, ressaltando que o impacto é mais logístico do que direto nas cotações do grão.
Houve uma redução superior a 50% no fluxo de navios pelo Mar Vermelho, aumentando em 200% as rotas pelo Cabo da Boa Esperança, o que eleva custos e prazos de entrega para exportadores da Europa e do Mar Negro. Essa reconfiguração logística favorece a competitividade do trigo argentino no cenário atual.
