O Tribunal de Justiça da União Europeia determina que casamentos entre pessoas do mesmo sexo devem ser reconhecidos em todos os países do bloco, criticando a Polônia
O Tribunal de Justiça da União Europeia, em uma decisão proferida nesta terça-feira (25), determinou que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo devem ser reconhecidos em todos os países do bloco. A corte criticou a Polônia por não reconhecer um casamento realizado na Alemanha entre dois cidadãos poloneses.
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O tribunal destacou que a Polônia cometeu um erro ao não validar a união do casal ao seu retorno, alegando que a legislação polonesa não permite casamentos entre pessoas do mesmo sexo. “Isso infringe não apenas a liberdade de ir e vir, mas também o direito fundamental ao respeito pela vida privada e familiar”, afirmou a corte.
Na Polônia, onde a maioria da população é católica, a luta pela igualdade dos direitos LGBT tem sido frequentemente rotulada pelas autoridades como uma ideologia estrangeira perigosa. Apesar disso, o governo atual está desenvolvendo um projeto de lei para regulamentar uniões civis, incluindo aquelas entre pessoas do mesmo sexo.
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A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia foi tomada a pedido de um tribunal polonês que analisava o caso de um casal que contestou a recusa em registrar sua certidão de casamento alemã no registro civil polonês. O casal, que se casou em Berlim em 2018, foi identificado apenas por suas iniciais durante o processo.
O tribunal ressaltou que os cidadãos da União Europeia têm o direito de se deslocar entre os Estados-Membros e de manter uma “vida familiar normal” nesses países. Ao retornarem ao seu país de origem, eles devem ter a certeza de que poderão continuar essa vida familiar.
A corte esclareceu que, embora os Estados-Membros não sejam obrigados a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo em suas legislações, não podem discriminar casais do mesmo sexo no reconhecimento de casamentos realizados no exterior.
O governo de coalizão pró-europeu liderado pelo primeiro-ministro Donald Tusk enfrenta dificuldades para aprovar o projeto de lei sobre uniões entre pessoas do mesmo sexo, devido à resistência de seu parceiro conservador na coalizão. O presidente nacionalista da Polônia, Karol Nawrocki, também declarou que vetaria “qualquer projeto de lei que prejudique o status constitucionalmente protegido do casamento”.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.