Transferência de Urânio Enriquecido da Venezuela para os EUA é Concluída com Sucesso

Transferência de Urânio Enriquecido da Venezuela para os EUA
Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido realizaram a transferência de 13,5 quilos de urânio enriquecido da Venezuela para o território americano. A operação foi supervisionada pelo OIEA (Organismo Internacional de Energia Atômica) e teve como objetivo proteger o material, evitando que ele se tornasse um risco caso caísse em mãos inadequadas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A informação foi divulgada pelo OIEA em um comunicado nesta sexta-feira (8).
O urânio estava armazenado em um reator do IVIC (Instituto Venezuelano de Investigações Científicas), que operou por três décadas até ser desativado em 1991. Após a desativação, o governo da Venezuela solicitou ajuda ao OIEA para retirar o combustível nuclear do país, e os Estados Unidos concordaram em recebê-lo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O material contém 20% do isótopo U-235, um nível superior ao usado para geração de energia elétrica, mas comum em aplicações científicas. Embora esteja abaixo do nível necessário para a fabricação de armas nucleares, que é superior a 80%, ainda é considerado um elemento radioativo perigoso.
Detalhes da Operação
No final de abril, um comboio com proteção militar partiu das instalações do IVIC em direção a Puerto Cabello, onde o urânio foi colocado em um navio do Reino Unido que o transportou para os Estados Unidos. A transferência para uma instalação do Departamento de Energia dos EUA, localizada na Carolina do Sul, foi finalizada nos primeiros dias deste mês.
Leia também
O OIEA destacou que a operação foi realizada sob rigorosa vigilância, devido ao potencial risco de proliferação e ameaças à segurança.
Durante o funcionamento do reator venezuelano, foi utilizado combustível nuclear que continha urânio proveniente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Após a conclusão dessa missão, não restou mais combustível no reator. O governo da Venezuela foi o primeiro a anunciar a operação, com o chanceler Yván Gil afirmando que o país havia comunicado repetidamente ao OIEA a necessidade de retirar materiais em desuso.
Reações e Implicações
A Venezuela afirmou que a operação militar de 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro, aumentou o nível de risco e confirmou a urgência da retirada do urânio. O governo também garantiu que a transferência foi realizada em conformidade com os padrões de segurança e reafirmou seu compromisso com os tratados internacionais de não proliferação nuclear.
Os Estados Unidos consideraram a operação uma vitória para todos os envolvidos. A Embaixada dos EUA na Venezuela declarou que a remoção segura do urânio enriquecido envia um sinal positivo sobre uma Venezuela restaurada. A operação demonstrou a capacidade de cooperação internacional em questões de não proliferação.
A transferência do urânio ocorre em um contexto de aproximação entre Venezuela e Estados Unidos, especialmente após a captura de Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo e narcotráfico, as quais ele nega. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou a detenção de Maduro, mas expressou disposição para manter uma relação de cooperação com os EUA.
Trump elogiou o trabalho de Rodríguez e mencionou oportunidades de investimento em setores como energia e mineração. Em março, os dois países anunciaram o restabelecimento de suas relações diplomáticas e consulares, rompidas desde 2019.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



