Traficante “PQD”, líder do Comando Vermelho, é preso em operação na Gardênia Azul, RJ
A prisão de “PQD” representa um golpe significativo ao Comando Vermelho, impactando suas operações na zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Na manhã desta terça – feira (18), o traficante Pierry Sá da Silva, conhecido como “PQD”, foi detido na comunidade Gardênia Azul, localizada na zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Ele é considerado um dos principais líderes e homens de guerra do Comando Vermelho (CV) e faz parte da chamada “Equipe Astro”.
Pela atuação no tráfico, PQD era responsável por coordenar as bocas de fumo nas comunidades da Gardênia Azul e Cidade de Deus, além de liderar a expansão territorial da facção na região. Segundo informações da Polícia Civil, ele exercia uma função de liderança armada, mobilizando criminosos e planejando ações violentas para ampliar o domínio do CV na zona Sudoeste.
Atuação criminosa e prisão
A polícia revelou que Pierry já tinha dois mandados de prisão em aberto e pelo menos três anotações criminais. Durante a abordagem policial, ele reagiu e acabou ferido, sendo socorrido para uma unidade de saúde. Com ele, as autoridades apreenderam uma pistola.
As investigações mostram que PQD participou recentemente de disputas territoriais em áreas como Curicica, Camorim e Asa Branca. Além disso, ele articulou tentativas sucessivas de invasão na comunidade de Rio das Pedras, considerada estratégica pela facção.
Na mesma operação que resultou na sua prisão, um segundo integrante do grupo também foi capturado; esse homem tinha um mandado por roubo.
A história do Comando Vermelho
O Comando Vermelho foi fundado no Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, onde conviviam presos comuns e políticos durante a Ditadura Militar. Essa interação entre diferentes tipos de detentos contribuiu para a formação da facção criminosa.
Inicialmente chamado “Falange Vermelha”, o grupo emergiu sob a liderança de William da Silva Lima, o “Professor”, que ficou preso por mais de 30 anos após ser condenado por assaltos a bancos e sequestros.
Leia também
Lima atuava como representante dos presos e se comunicava oficialmente com as autoridades. Ele também é autor do livro “400×1: Uma história do Comando Vermelho”, onde descreve os detalhes sobre o surgimento da facção e suas atividades criminosas.
Condições precárias e expansão do CV
As condições desumanas no Instituto Penal Cândido Mendes, apelidado de “Caldeirão do Inferno”, levaram os presos a se organizarem para melhorar suas condições de vida. Em 1979, com a libertação dos presos políticos, os membros da “Falange Vermelha” começaram a se reestruturar.
As fugas se tornaram um foco importante do grupo, resultando em mais de 100 ocorrências no ano seguinte.
A partir dos anos 80, o Comando Vermelho começou a expandir suas operações para fora das prisões, dominando pontos de venda de drogas no Rio de Janeiro. Em 1985, a facção já controlava cerca de 70% desse mercado lucrativo. Esse crescimento trouxe consigo guerras territoriais entre facções rivais.
Presença atual e estrutura do CV
Hoje, o Comando Vermelho é considerado a maior facção do Rio de Janeiro e a segunda maior do Brasil. A organização possui características semelhantes às máfias tradicionais devido ao seu controle sobre diversas atividades ilegais. O tráfico de drogas permanece sendo sua principal fonte de receita.
A facção também diversificou sua forma de adquirir armamentos; atualmente utiliza tanto armas importadas quanto fabricadas localmente. Entre os principais líderes estão Márcio dos Santos Nepomuceno (Marcinho VP), Luiz Fernando da Costa (Fernandinho Beira – Mar) e Edgar Alves de Andrade (“Doca” ou “Urso”), este último ainda foragido.