Trabalhadores em greve denunciam jornadas exaustivas e pedem fim da exploração!

Trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas e risco de escravidão! Novo estudo aponta situação crítica no comércio e serviços. Vice-presidente Ana Paula Costa lidera luta por jornada de 40h

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(Imagem de reprodução da internet).

Trabalhadores Reivindicam Fim da Jornada Extenuante

Estamos vivenciando um momento crucial na organização do movimento sindical brasileiro. Após décadas de debate restrito ao meio sindical, a questão da jornada de trabalho, especialmente com o fim da escala 6×1, finalmente ganhou força e saiu dos bastidores para ocupar o centro do debate público. Observamos diariamente trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo no setor de comércio e serviços, que enfrentam jornadas que se aproximam da escravidão moderna, um cenário que consome a força de trabalho e, de forma alarmante, rouba tempo de vida.

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Para dar corpo técnico a essa luta, lançamos um estudo detalhado, fruto de uma pesquisa com mais de quatro mil trabalhadores. Os dados revelam situações extremamente precárias, como o caso de trabalhadores que residem no Centro do Rio, mas precisam percorrer até 50 quilômetros diários para se deslocar até o trabalho, gastando, em média, três horas em cada viagem. Essa combinação de longas jornadas, horas extras quase obrigatórias e o tempo perdido no transporte público deixa o trabalhador com pouco tempo para atividades básicas como cuidar da família ou da própria saúde.

Esta semana, representantes do sindicato, liderados pela vice-presidente Ana Paula Costa, estiveram em Brasília para apresentar essa realidade diretamente aos parlamentares. Acompanhamos a votação, na Comissão de Trabalho da Câmara, de um projeto de lei, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que busca garantir uma jornada de até 40 horas semanais em escala 5×2, sem redução salarial. Apesar do adiamento da votação, nossa presença foi fundamental para consolidar apoio e intensificar a articulação necessária para garantir uma base sólida de aprovação, diante da resistência da bancada patronal.

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Durante nossa passagem pela Câmara, realizamos reuniões com a deputada Daiana Santos e com o presidente da Comissão de Trabalho, deputado Max Lemos (PDT-RJ), entre outros parlamentares, entregando exemplares do Atlas. Max Lemos destacou o diálogo positivo com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que demonstra apoio ao projeto, construído em conjunto com os sindicatos. A vice-presidente Ana Paula Costa denunciou a situação das comerciárias, onde o descanso de apenas um dia por semana se torna uma sentença de esgotamento.

Para avançarmos em direção a uma jornada que traga mais dignidade e tempo de vida para trabalhadores e trabalhadoras, é preciso estratégia e um olhar atento ao cenário legislativo. Embora todas as iniciativas que visem a redução da jornada sem corte de salários sejam louváveis, entendemos que o PL nº 67/2025 se apresenta como o caminho mais viável e célere. A razão é política: uma Emenda à Constituição exige um quórum de aprovação altíssimo, o que pode paralisar a urgência da nossa demanda.

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O PL nº 67/2025, que propõe a jornada de até 40 horas semanais em escala 5×2 sem redução salarial, exige apenas maioria simples e tem recebido uma recepção positiva do Governo. Este projeto, construído em diálogo direto com as bases sindicais, unindo o anseio popular à viabilidade real de aprovação.

Não aceitamos o discurso patronal de que a redução da jornada causará catástrofes econômicas. Estudos enviesados tentam prever cenários negativos, mas a realidade de países desenvolvidos mostra o contrário: um trabalhador descansado produz melhor. Além disso, ao devolver o tempo de lazer à população, aquecemos setores vitais como o turismo e a cultura, fazendo a economia girar de forma mais humana e distributiva.

A luta pelo fim da escala 6×1 é, acima de tudo, uma luta por direitos. Queremos o direito de ir à igreja, estudar, praticar um exercício e, fundamentalmente, descansar. O regime 6×1 é desumano. Nossa mobilização em Brasília e nas bases continuará firme até que o tempo deixe de ser uma mercadoria roubada e volte a ser um direito de quem constrói a riqueza deste país.

Márcio Ayer é presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro e diretor nacional de Comércio e Serviços da CTB

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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