Investigações sobre o Banco Master: Toffoli Afirma Não Ter Acessado Informações do Celular de Daniel Vorcaro
Em 6ª feira (6.mar.2026), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, declarou que não teve acesso às informações encontradas no celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante a relatoria das investigações sobre a instituição financeira.
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Segundo o ministro, a análise dos celulares, computadores e HDs apreendidos foi autorizada, mas o material não foi encaminhado ao STF. A declaração ocorre em meio a um contexto de investigações que remontam a novembro de 2025.
O gabinete do STF divulgou um comunicado recapitulando as decisões tomadas durante o período em que Toffoli esteve na relatoria do inquérito, que se estendeu de 28 de novembro de 2025 a 12 de fevereiro de 2026. O ministro Toffoli informou que seu último ato à frente do caso foi determinar que a Polícia Federal (PF) enviasse o material ao Supremo.
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A decisão foi tomada em um momento crucial das investigações, que visam apurar possíveis fraudes cometidas pelo Banco Master contra o sistema financeiro nacional.
Análise da PF e Arquivamento da Arguição de Suspeição
A PF, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que autorizou a 3ª fase da operação Compliance Zero, remeteu a decisão para referendo do colegiado do STF. Em 12 de fevereiro, ministros do STF se reuniram após um relatório parcial do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin.
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Uma arguição de suspeição contra Toffoli foi apresentada, mas considerada inepta e arquivada.
Operação Compliance Zero e Novas Acusações
Em 4ª feira (4.mar.2026), a Polícia Federal deflagrou a 3ª fase da operação Compliance Zero, com o objetivo de investigar indícios de atuação em grupo dedicado a monitorar e retaliar adversários do Banco Master. As investigações revelaram que Daniel Vorcaro teria solicitado que o indivíduo conhecido como Sicário agredisse o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
O ministro Mendonça criticou a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou contra a prisão dos investigados.
Investigações e Medidas Cautelares
O ministro Mendonça também identificou indícios de “acesso indevido” a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como a Interpol. A PGR, comandada por Paulo Gonet, declarou não poder favorecer pedidos cautelares.
Foram presos preventivamente Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão. Além disso, foram autorizadas buscas e apreensões em 15 endereços em São Paulo e Minas Gerais, e foram determinados o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens de até R$ 22 bilhões.
Atritos entre Toffoli e a PF
A relatoria de Toffoli no caso Master foi marcada por atritos com a Polícia Federal. Em dezembro de 2025, o ministro determinou depoimentos e uma acareação entre Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Ailton de Aquino, sem pedido prévio dos investigadores.
Toffoli justificou a medida como necessária para evitar manipulação de provas. Durante a sessão, houve atritos entre o juiz instrutor do gabinete de Toffoli, Carlos Vieira Von Adamek, e a delegada da PF Janaína Palazzo.
Controle de Provas e Críticas ao Banco Central
Em janeiro de 2026, Toffoli cobrou explicações da PF sobre um atraso na execução das medidas judiciais, inicialmente previstas para 13 de janeiro. O ministro criticou a posição do Banco Central, citando “vulnerabilidades” na regulação e fiscalização do sistema financeiro.
A PF argumentou que o atraso ocorreu por circunstâncias logísticas e pela coincidência com outras operações complexas da polícia judiciária. Posteriormente, Toffoli transferiu a perícia dos dados para a Procuradoria Geral da República.
