Justiça determina que prefeitura de São Paulo tem 15 dias para entregar cópias de processos e multas à CPI.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou que a administração do Prefeito Ricardo Nunes apresente todos os processos administrativos e sanções relacionadas a fraudes em Habitações de Interesse Social (HIS) e Habitações de Mercado Popular (HMP) na cidade.
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A gestão de Nunes tem um prazo de 15 dias para cumprir essa ordem. A decisão, emitida pela 10ª Vara de Fazenda Pública, requer que cópias integrais dos documentos sejam entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Habitação de Interesse Social, da Câmara Municipal.
Conforme a determinação, a prefeitura deve apresentar os processos e multas com base no artigo 47 da Lei Municipal 16.050/14 (Plano Diretor Estratégico) e nos decretos regulamentares dos últimos cinco anos. Essa ordem judicial foi uma resposta a uma ação cautelar movida em setembro pela Bancada Feminista do PSOL.
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A juíza Ana Carolina Gusmão de Souza Costa destacou que a produção antecipada de provas é essencial para que a CPI exerça plenamente sua função fiscalizadora. A antecipação do conhecimento dos fatos pode também evitar futuras ações judiciais.
A CPI visa investigar suspeitas de que incorporadoras, que receberam isenções fiscais para construir moradias populares, estariam, na verdade, construindo apartamentos de alto padrão para famílias de alta renda.
A urgência na obtenção dos documentos é justificada pelo histórico de resistência da gestão municipal. A CPI da Habitação foi aprovada em 10 de março de 2025, mas sua instalação enfrentou obstruções pela base do prefeito Nunes, que não indicou os membros governistas.
A instalação da comissão só foi possível após uma decisão do TJ-SP, que atendeu a um Mandado de Segurança apresentado por partidos da oposição. A juíza alertou que a demora na obtenção dos documentos poderia atrasar as investigações e a elaboração de um relatório conclusivo.
A decisão judicial também convocou o Ministério Público (MP) para atuar como fiscal no processo. A Defensoria Pública foi intimada a intervir como custus vulnerabilis, considerando que os fatos impactam diretamente populações de baixa renda.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) já está investigando o caso e processou a Prefeitura em janeiro de 2025. Até o momento, mais de 240 mil apartamentos estão sob análise do MP.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.