Thiago Vidal analisa tendência à direita na América Latina e alerta sobre condições estruturais

A análise de Thiago Vidal revela que a tendência à direita na América Latina é impulsionada por condições estruturais graves que afetam a política regional

22/06/2026 21:46

3 min

Eleitores votam no primeiro turno das eleições presidenciais de 2025, em Santiago, Chile
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A configuração política da América Latina, que apresenta uma crescente tendência à direita, é influenciada por condições estruturais profundas, conforme análise de Thiago Vidal, diretor de análise política da Perspectiva. Em entrevista ao programa Hora H, Vidal observou que o pêndulo político na região sempre esteve presente, mas os ciclos se tornaram mais curtos nos últimos anos.

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Ele mencionou a primeira onda de esquerda no início do século XXI, seguida por um período de centro-direita que durou cerca de cinco anos e, posteriormente, um novo retorno à esquerda após a pandemia.

Fatores Estruturais e Seus Efeitos

Segundo Vidal, o atual cenário é marcado por condições estruturais mais graves do que há duas décadas. “Estamos diante de uma região com níveis de endividamento elevados, deterioração dos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e segurança pública, e dificuldades em aumentar indicadores básicos de desenvolvimento econômico, como investimento e produtividade”, explicou.

Ele acredita que essa situação pode levar a uma mudança política rápida, já que os líderes eleitos são frequentemente incapazes de resolver problemas persistentes.

O analista alertou que, caso as questões estruturais não sejam abordadas adequadamente, a população poderá mudar sua orientação política novamente. “Os latino-americanos não hesitarão em retornar à direita ou à esquerda se qualquer grupo político prometer resolver os problemas que permanecem sem solução”, afirmou Vidal.

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Pressão sobre as Instituições

Ao discutir a solidez das instituições na América Latina, Vidal destacou que a preocupação deve estar relacionada à constante pressão a que essas instituições estão submetidas. “De modo geral, elas funcionam; embora enfrentem desafios, acabam se sustentando”, comentou.

Ele citou Brasil, Peru, Equador e Colômbia como exemplos onde essa dinâmica é evidente. No contexto colombiano, lembrou do clima de apreensão antes da eleição do presidente Gustavo Petro, quando empresas chegaram a incluir uma “cláusula Petro” em seus contratos para rescisão em caso de instabilidade política. “Esse receio parecia desproporcional em relação ao governo Petro”, avaliou.

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Vidal ressaltou que a Colômbia não está acostumada com o nível de instabilidade política visto em outros países da região. Ele também fez uma análise sobre o novo candidato de direita no país, afirmando que não se pode comparar a Colômbia a El Salvador devido à complexidade geográfica e demográfica da nação colombiana.

Desafios no Cenário Colombiano

Para Vidal, o uso da força não será suficiente para resolver os problemas de segurança na Colômbia, especialmente considerando grupos armados como o ELN — Exército de Libertação Nacional — que atua além das fronteiras colombianas e até mesmo a partir da Venezuela.

Sobre o papel dos Estados Unidos nas eleições colombianas, ele reconheceu um estímulo externo significativo; no entanto, enfatizou que os fatores internos desempenharam um papel crucial na determinação do resultado eleitoral.

Vidal ainda lembrou que a Colômbia possui um histórico robusto de parcerias diplomáticas e de defesa com os Estados Unidos, o que diferencia seu cenário político das situações observadas em outras partes da América Latina. As complexidades políticas e sociais enfrentadas pelo país exigem soluções mais elaboradas do que simples intervenções externas.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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