Terras raras: Brasil deve agir agora para não perder oportunidade estratégica vital!

As terras raras emergem como um tema crucial para o Brasil, impulsionando debates sobre segurança e tecnologia. Descubra como essa riqueza pode transformar o país!

Terras raras: um tema estratégico para o Brasil

Por muito tempo, as terras raras foram um assunto restrito ao jargão de geólogos, engenheiros e pesquisadores. Nos últimos meses, no entanto, passaram a ser destaque em manchetes, disputas diplomáticas e debates públicos, muitas vezes acompanhadas de desinformação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso se deve ao fato de que esses insumos são essenciais para a transição energética, tecnologias digitais e, cada vez mais, para a segurança das nações. Portanto, é crucial que o Brasil aborde essa questão com seriedade e pragmatismo.

As terras raras não são um bilhete premiado garantido. Elas representam uma oportunidade real, desde que o país invista em ciência, planejamento e instituições públicas robustas, em colaboração com o setor produtivo e com regras claras. O termo “terras raras” pode ser enganoso, pois não se refere a materiais quase inexistentes, mas sim à dificuldade de encontrá-los em concentrações e condições que viabilizem sua extração e processamento econômico.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Minerais críticos e a demanda crescente

No cenário internacional, as terras raras estão incluídas no que se chama de minerais críticos, cuja demanda está em rápida ascensão e que podem enfrentar gargalos de oferta por razões tecnológicas, geológicas, ambientais e, principalmente, geopolíticas.

Além de algumas terras raras, esses minerais críticos englobam níquel, grafita, cobalto, magnésio, lítio e platina. Embora se fale frequentemente em 17 elementos, é importante notar que nem todos têm o mesmo comportamento na natureza, e apenas alguns concentram maior valor estratégico.

Leia também

Entre eles, destacam-se quatro elementos: praseodímio, neodímio, disprósio e térbio. A disputa por terras raras está, em grande parte, ligada à competição por ímãs de alto desempenho, essenciais para aumentar a eficiência de motores elétricos, veículos elétricos e turbinas eólicas.

Contudo, suas aplicações vão além, abrangendo equipamentos de defesa, telas, smartphones, fibras ópticas, equipamentos médicos, catalisadores e lasers.

O potencial brasileiro e os desafios

O Brasil possui uma diversidade geológica impressionante, com ocorrências conhecidas de terras raras em várias regiões, como a Amazônia, Goiás, Minas Gerais e o Nordeste. A matriz energética limpa do país é uma vantagem para a instalação da cadeia de produção de terras raras, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Isso sugere que o potencial brasileiro pode ser maior do que as estimativas atuais indicam.

Entretanto, o país ainda precisa avançar no mapeamento e na pesquisa aplicada. O Serviço Geológico do Brasil possui experiência e capacidade técnica, mas enfrenta limitações em escala, orçamento e pessoal. Além disso, muitas reservas são depósitos de difícil exploração, apresentando desafios tecnológicos significativos.

Os depósitos de argilas de absorção iônica, por exemplo, têm se mostrado promissores, especialmente em Goiás, onde projetos já estão em desenvolvimento.

Planejamento e articulação institucional

O Brasil já passou por momentos em que interrompeu políticas estratégicas por decisões de curto prazo, como no caso dos insumos para vacinas. Quando a demanda mundial cresce rapidamente, não há soluções mágicas. A criação de uma cadeia tecnológica complexa exige planejamento, continuidade e articulação institucional.

A proposta de criar uma nova empresa para resolver a questão pode, paradoxalmente, levar à estagnação.

O Brasil já conta com instituições com funções definidas, como o Serviço Geológico, a Agência Nacional de Mineração e centros tecnológicos. O que é necessário é integrar e financiar essas estruturas existentes, além de colaborar com o setor privado.

A recente iniciativa do presidente Lula, que inclui cláusulas específicas no Acordo Mercosul-União Europeia e um memorando de entendimento com a Índia, é um passo importante nesse sentido.

Desenvolvimento sustentável e soberania

O Brasil, ao buscar parcerias com a Índia, uma potência tecnológica do Sul Global, demonstra que não pretende ser apenas um exportador de matéria-prima. O objetivo é atrair processamento, inovação e valor agregado, respeitando o meio ambiente e as comunidades locais. É fundamental evitar um modelo extrativista de alto impacto e baixo retorno social e ambiental.

Em um mundo que exige descarbonização e transparência, o Brasil pode se destacar ao adotar boas práticas de mineração e utilizar energia limpa. As terras raras não são uma moda passageira, mas um tema de Estado que demanda ciência, instituições fortalecidas e uma política industrial ativa.

A iniciativa do governo brasileiro em dialogar com a Índia é um passo na direção certa, visando diversificar parcerias e reforçar a soberania nacional.

O desafio agora é transformar essa oportunidade em um projeto nacional, com conhecimento, planejamento e coragem para fazer do Brasil um protagonista na nova economia, sem abrir mão da responsabilidade social e ambiental exigida no século 21.