A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência provoca tensões na direita, com desentendimentos entre Tarcísio de Freitas e o PL. O que vem por aí?
A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência tem gerado, nas últimas semanas, divergências entre aliados, revelando tensões no campo da direita. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enviou sinais ambíguos sobre sua posição na corrida presidencial, o que causou desgaste com o grupo bolsonarista e irritou a liderança do PL.
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Na última quinta-feira (22), Tarcísio anunciou em suas redes sociais que disputará a reeleição para o governo do estado, reafirmando sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes disso, o governador foi o centro de um desentendimento entre o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP).
Segundo Sóstenes, Tarcísio cometeu um erro ao não atender a Bolsonaro e ao não se filiar ao PL. A crítica foi contestada por Marcos Pereira, que destacou a postura do Republicanos, afirmando que a sigla “não faz política no grito, nem cria crises para aparecer”.
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Outro ponto de discórdia foi o cancelamento da visita de Tarcísio a Bolsonaro na “Papudinha” na semana passada.
O governador alegou questões de agenda para o adiamento, mas, conforme reportado, ele teria se irritado com declarações de Flávio sobre cobranças que seriam feitas por Bolsonaro durante o encontro. Para tentar apaziguar os ânimos, uma nova visita a Bolsonaro está agendada para esta semana, e Tarcísio afirmou que trabalhará para apoiar a candidatura de Flávio.
Com aproximadamente oito meses até as eleições, Flávio ainda não conseguiu o apoio de líderes do centrão e aliados da centro-direita. Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem enfatizado a importância da união entre os membros da direita.
Apesar das divergências, aliados estão se mobilizando para fortalecer a candidatura de Flávio.
Recentemente, o PL-RN anunciou que não apresentará candidato e focará na campanha de Flávio. O ex-ministro de Bolsonaro e atual líder da oposição no Senado, Marinho, que era cotado para a disputa no Rio Grande do Norte, agora coordenará a campanha de Flávio, uma estratégia para unificar a direita.
Os conflitos no PL vão além da busca pela aprovação de Jair Bolsonaro para a candidatura presidencial. O partido enfrenta disputas internas e cisões no período pré-eleitoral. Um exemplo é a saída do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, que deixou a sigla por falta de apoio na disputa por uma vaga no Senado em Pernambuco.
Gilson afirmou que continua sendo o nome apoiado por Bolsonaro, mas não foi escolhido pela direção estadual do partido. Além disso, a construção de alianças no Ceará gerou atritos sobre quem representaria Bolsonaro na corrida eleitoral, evidenciando a crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente.
A sigla também enfrenta a ausência de dois importantes candidatos em São Paulo. A ex-deputada Carla Zambelli está fora da disputa por estar presa e inelegível, enquanto Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos com uma situação incerta. Em Santa Catarina, o cenário para as duas vagas ao Senado ainda é indefinido.
Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, foi indicado pelo PL para tentar uma vaga no Senado por Santa Catarina. Essa escolha faz parte da estratégia do bolsonarismo para aumentar a representação no Senado e pressionar o STF. Apesar de apenas duas vagas estarem em jogo, três nomes fortes estão na disputa: Carlos Bolsonaro, a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC).
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.