Telma Abrahão explica impacto emocional da eliminação em atletas e torcedores

A eliminação de uma seleção em competições esportivas vai muito além de um simples revés. Para atletas e torcedores, a derrota pode gerar uma intensa experiência emocional, repleta de frustração, tristeza e até sensação de perda. A biomédica e neurocientista Telma Abrahão, especialista em trauma, explica que o cérebro processa esses momentos de forma complexa.
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De acordo com Telma, grandes competições ativam mecanismos cerebrais ligados à expectativa, recompensa, pertencimento e identidade. Durante a preparação para um torneio, jogadores e torcedores criam expectativas e alimentam a esperança de vitórias.
Quando ocorre a eliminação, essa narrativa é abruptamente interrompida, resultando em uma resposta emocional significativa. “Nosso cérebro faz previsões constantemente. Quando há uma grande diferença entre o que se esperava e o que realmente acontece, surge uma forte reação emocional”, explica.
Impacto da derrota nos atletas
Para os atletas, o impacto da eliminação tende a ser ainda mais profundo. Anos de treinos intensos e dedicação são colocados à prova em poucos minutos de jogo decisivo. Quando o resultado não é o esperado, muitos enfrentam sentimentos como culpa e vergonha, questionando sua própria identidade. “A derrota pode ser vista como uma ameaça à identidade dos atletas.
Eles sentem que decepcionaram seu país ou que todo esforço foi em vão”, afirma Telma.
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A neurocientista também destaca as alterações fisiológicas que acompanham essas reações emocionais. Após uma eliminação, há um aumento na atividade da amígdala cerebral — responsável pelas emoções— e maior liberação de hormônios do estresse como cortisol e adrenalina.
Ao mesmo tempo, o córtex pré – frontal, área ligada ao autocontrole e à tomada de decisões, tem sua atividade reduzida temporariamente. “Por isso vemos jogadores chorando ou se isolando logo após uma partida”, ressalta.
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Sentimentos dos torcedores
Os torcedores também sentem os efeitos da derrota com grande intensidade. Telma aponta que eventos esportivos como a Copa do Mundo despertam um forte senso de pertencimento coletivo. Durante o torneio, muitas pessoas se identificam profundamente com a seleção e vivenciam as vitórias e derrotas como experiências pessoais. “Quando a seleção perde, muitos sentem que uma parte deles também foi derrotada”, diz.
Além disso, o futebol frequentemente está ligado a recordações afetivas significativas. Assistir aos jogos pode evocar memórias da infância ou momentos compartilhados com familiares e amigos. Assim, uma eliminação pode trazer à tona emoções ligadas a experiências passadas de perda ou frustração.
Caminhos para lidar com a frustração
A intensidade da dor diante da derrota varia entre os indivíduos. Telma explica que quem cresceu em ambientes emocionalmente seguros tende a lidar melhor com frustrações. Em contrapartida, pessoas que enfrentaram críticas constantes ou medo do fracasso podem sentir um impacto muito maior devido à conexão entre as situações atuais e experiências emocionais passadas.
Sentir tristeza após uma eliminação é natural e esperado. O importante é permitir – se viver esse sentimento de forma saudável, sem tentar ignorá – lo ou reprimi – lo. Segundo Telma Abrahão, superar não significa fingir que nada aconteceu; envolve integrar essa experiência à própria história sem deixá – la definir a identidade pessoal.
No caso dos atletas, acompanhamento psicológico é fundamental para ajudar na ressignificação da derrota e reduzir riscos de ansiedade ou depressão. Apesar do sofrimento causado por uma eliminação, Telma lembra que nosso cérebro possui uma notável capacidade de adaptação.
Através da neuroplasticidade, podemos reorganizar conexões neurais e transformar experiências difíceis em aprendizado emocional positivo. “A maneira como lidamos com derrotas diz muito sobre nosso sistema nervoso”, finaliza Telma Abrahão.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



