A Realidade em Teerã: Uma Entrevista Exclusiva
Em junho de 2025, a analista de política externa e âncora de TV Elham Abedini se encontrava em Teerã, na sede da IRIB, emissora estatal do Irã, quando a cidade foi palco de um ataque devastador. Três pessoas perderam a vida, e vários ficaram feridos, com Abedini estando próximo de se tornar uma das vítimas, pois seu programa ao vivo foi interrompido apenas dois minutos antes do incidente.
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A cidade de Teerã, que diariamente enfrenta bombardeios de Israel e dos Estados Unidos, continuava a se recuperar.
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Lidando com a Violência Diária
Em uma entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Abedini compartilhou como ela e a população iraniana estão lidando com a violência que se intensificou após os ataques não provocados de 28 de fevereiro. A entrevista, originalmente agendada para o dia 19, foi adiada devido à situação de risco no prédio da emissora.
A jornalista descreveu a rotina em Teerã, marcada pelo constante som de defesas antimísseis e explosões, tanto do Irã quanto de Israel e dos Estados Unidos, especialmente durante a noite. A data de 20 de junho, Ano Novo do Irã (Nowruz), se aproximava, com lojas e bazares ainda abertos, refletindo a tentativa da população de manter a normalidade em meio à crise.
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Resiliência e Protesto
Apesar das ameaças e dos ataques, a população iraniana demonstra resiliência. As ruas de Teerã continuam a ser palco de protestos diários contra os Estados Unidos e Israel, com manifestantes exigindo uma resposta à violência. A normalidade observada nos bazares contrasta com a situação em Tel Aviv, onde as ruas estão desertas e as pessoas buscam abrigo em locais subterrâneos.
A população iraniana se une em busca de justiça e retaliação.
Complexidades e Desafios
A violência tem impactado a opinião pública, com alguns iranianos questionando a estratégia do governo e a falta de alvos civis. A morte de autoridades como Larijani e Ismail Khatib intensifica o luto e a incerteza. Abedini ressaltou que o assassinato de Larijani, um ator-chave na segurança e potencial negociador, demonstra a intenção do regime israelense de bloquear qualquer caminho de paz.
A jornalista também abordou a infiltração de elementos estrangeiros nos protestos, evidenciada por relatos de pessoas armadas e o contrabando de armas. A presença de mídias estrangeiras treinando indivíduos para enfrentar a segurança e fabricar explosivos levanta sérias preocupações sobre financiamento externo.
Escassez e Sanções
A população iraniana enfrenta desafios significativos, incluindo escassez de alimentos, eletricidade e água. A principal preocupação é a inflação causada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e Israel, que dificultam o acesso a medicamentos importados.
A destruição de fábricas farmacêuticas em Teerã agrava a situação, com previsão de escassez a médio prazo. A ameaça de dificuldades energéticas no próximo inverno, devido ao bombardeio do campo de petróleo de Parsadanube, também é motivo de preocupação.
Relações Regionais e Perspectivas Futuras
A entrevista explora as complexas relações entre o Irã e os países do Golfo, bem como a relação com a Palestina e o Hezbollah. Abedini enfatiza a importância da comunicação e da cooperação entre os países do Sul, através de organizações como o BRICS e a Organização de Xangai, para enfrentar as sanções e a influência dos Estados Unidos.
A jornalista acredita que o Irã, com sua resiliência e capacidade de guerra assimétrica, pode resistir à pressão e evitar o destino de países como o Líbano ou a Síria, onde os EUA e Israel exercem sua influência através de intervenções e assassinatos.
Ao final da entrevista, Abedini expressa esperança em um futuro de paz e segurança para o Irã e seus cidadãos, reiterando a importância da cooperação internacional e da resistência contra o imperialismo.
