TCU exige R$ 60 bilhões! Ministério e Aneel sob pressão por estudos urgentes sobre renovação de contratos de energia. Divergências e risco de bilhões em disputa
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentem estudos detalhados em até 15 dias. A ordem, emitida na quarta-feira, 4 de março de 2026, busca esclarecer a base para a renovação antecipada de concessões de transmissão de energia elétrica e o cálculo das indenizações pagas às empresas do setor.
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O valor em jogo ultrapassa os R$ 60 bilhões.
A decisão surge após divergências entre os ministros do TCU sobre a legalidade e a metodologia utilizada para atualizar os valores de ativos antigos, conhecidos como ativos pré-2000, que ainda não haviam sido totalmente amortizados nos contratos renovados.
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A principal questão reside no índice de atualização aplicado a esses valores, com o chamado Ke (custo do capital próprio) sendo questionado em relação ao WACC (custo médio ponderado de capital). Simulações indicam uma possível diferença de R$ 3,4 bilhões entre as metodologias.
O relator do processo, ministro aposentado, expressou dúvidas sobre a competência do Ministério para definir o índice por meio de portaria. O ministro revisor, defendia a legalidade da metodologia, solicitando aprofundamento das análises, considerando o impacto tarifário e a necessidade de segurança jurídica no setor elétrico.
O plenário decidiu converter o julgamento em diligência, exigindo que o MME e a Aneel apresentem informações sobre a vantajosidade da renovação, o impacto nas tarifas e a justificativa para o pagamento das indenizações via tarifa.
Este caso tem origem na aplicação da Lei, que permitiu a prorrogação antecipada de concessões de geração e transmissão de energia com novas condições contratuais. Em troca da renovação, as empresas receberam indenizações por investimentos não recuperados.
A discussão se estende a temas como modicidade tarifária, competência regulatória e previsibilidade no ambiente de concessões, com raízes em um processo iniciado em 2017. O TCU agora aguarda os estudos técnicos solicitados para tomar a decisão final sobre a metodologia de cálculo das indenizações.
Este jornal digital entrou em contato com o Ministério de Minas e Energia e a Aneel por e-mail para obter informações adicionais. Até o momento, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.