TCU cobra pacto para mulheres na Corte! Presidente, Augusto Dantas, propõe acordo urgente na Câmara. Disputas e “santinhos” emperram nomeação de nova ministra após saída de Aroldo Cedraz. Críticas ao “efeito tesoura” e à falta de ação. Será que o TCU refletirá a realidade do talento feminino?
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Dantas, lançou um chamado nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, propondo um acordo entre os partidos da Câmara dos Deputados para que apenas candidaturas femininas sejam consideradas para a vaga aberta na Corte.
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A iniciativa surge em um cenário de impasse na escolha do novo ministro, que substituirá a aposentadoria de Aroldo Cedraz, marcada por disputas internas e distribuição de “santinhos” na Câmara.
O TCU não possui uma mulher entre seus ministros desde 2022. Em seus 135 anos de história, a instituição só teve duas mulheres no cargo de ministra: Élvia Castelo Branco e Ana Arraes. O presidente da Corte, Augusto Dantas, ressaltou que esse cenário representa uma “sentença”, evidenciando a persistência de um problema estrutural.
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Dantas atribui a ausência de mulheres na Corte ao chamado “efeito tesoura”, identificado pelo Plano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Esse fenômeno se refere à acumulação de qualificações por mulheres em carreiras rigorosas, mas à sistemática barreira que as impede de alcançar posições de liderança. “O TCU, com seu plenário masculino há quatro anos consecutivos, é a expressão mais acabada desse efeito no controle externo brasileiro”, declarou.
Dados recentes apontam que mulheres representam 56% das matrículas em cursos de Direito, além de serem maioria em áreas como Ciências Contábeis e Engenharias. No entanto, a representatividade feminina no TCU ainda é baixa. O presidente do Tribunal enfatiza que, apesar do amplo reservatório de talentos técnicos femininos, “alguém, deliberadamente, as procura”, indicando a necessidade de uma ação mais efetiva.
Atualmente, as mulheres representam 51,5% da população brasileira e 52,47% do eleitorado. No entanto, ocupam apenas 18% das cadeiras no Parlamento. Durante a gestão de Ana Arraes, o índice de mulheres em funções de direção no TCU era de 12%, enquanto, na gestão de Dantas, atingiu 25% e, atualmente, está em 32%.
A decisão final sobre a escolha do novo ministro cabe à Câmara dos Deputados, onde ainda não há data definida para a votação nem confirmação de que os partidos aderirão ao pacto proposto por Dantas, que acredita que, sem um compromisso coletivo explícito, a probabilidade de indicação de uma mulher é “próxima de zero”.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.