Taxas dos DIs disparam antes do feriado; inflação e conflitos no radar dos investidores

Taxas dos DIs sobem antes do feriado, com aumento significativo influenciado por inflação e tensões internacionais. O que esperar do mercado? Clique e descubra!

04/06/2026 15:06

4 min

Taxas dos DIs disparam antes do feriado; inflação e conflitos no radar dos investidores
(Imagem de reprodução da internet).

Taxas dos DIs apresentam alta antes do feriado

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) encerraram a quarta-feira pré-feriado com aumentos significativos, superando 30 pontos-base em alguns vencimentos. O dia foi marcado por um clima de apreensão no mercado, influenciado pelas projeções de inflação no Brasil, a ameaça dos Estados Unidos de novas tarifas sobre produtos brasileiros e os conflitos entre EUA e Irã no Oriente Médio.

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Com os investidores adotando posturas mais cautelosas antes do feriado de Corpus Christi, a taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 14,355%, alta de 29 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,068%. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 ficou em 14,43%, com um aumento de 30 pontos-base em comparação ao ajuste de 14,127%.

No início do dia, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a produção industrial brasileira cresceu 0,7% em abril em relação a março e avançou 2,7% em comparação a abril de 2025, superando as expectativas de economistas consultados pela Reuters, que previam altas de 0,4% no mês e de 1,7% na base anual.

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Este foi o quarto mês consecutivo de crescimento, reforçando a percepção de que a atividade econômica continua aquecida, o que pressiona a inflação e diminui o espaço para cortes na taxa de juros.

Revisões nas projeções de inflação e Selic

Desde a última sexta-feira, em decorrência do resultado robusto do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, instituições financeiras têm elevado suas previsões para a inflação e a taxa básica Selic, atualmente em 14,50% ao ano, em um cenário de pressão nos preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio.

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Após instituições como Itaú Unibanco e C6 Bank aumentarem suas projeções nos últimos dias, a XP revisou sua expectativa para a inflação de 5,3% para 5,5% em 2026 e de 4,0% para 4,2% em 2027. Além disso, a XP agora prevê apenas mais dois cortes na Selic antes de uma pausa, reduzindo a previsão de 14,00% para 13,75% anteriormente esperada.

O BTG, por sua vez, ajustou a Selic projetada para o final de 2026 de 13,00% para 14,25% e para o final de 2027 de 10,50% para 12,50%. Um operador ouvido pela Reuters destacou que, em meio às revisões recentes, alguns agentes mencionam a possibilidade de interrupção no ciclo de cortes da Selic neste mês, acrescentando que “daqui a pouco começa o papo de alta de juros”.

Ameaças tarifárias e tensões internacionais

A apreensão entre os investidores foi intensificada pelas ameaças tarifárias dos EUA. O USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos) defendeu a imposição de uma tarifa de 25% sobre diversas exportações brasileiras e sugeriu uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, devido a falhas no combate ao trabalho forçado.

Para o Brasil, a tarifa proposta seria de 12,5%. Embora essas tarifas necessitem de aprovação, a percepção geral entre os agentes foi negativa, especialmente após os EUA designarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou novamente o anúncio das tarifas, após ter responsabilizado a família Bolsonaro pela deterioração das relações entre Brasil e EUA. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é atualmente visto como o principal adversário de Lula na corrida presidencial.

Os anúncios sobre organizações criminosas e novas tarifas surgiram após um encontro recente de Flávio com Trump em Washington.

Impactos das tensões no Oriente Médio

O cenário internacional também contribuiu para a alta das taxas dos DIs, alinhando-se com os Treasuries e o petróleo, em meio a novas ações militares dos EUA e do Irã no Oriente Médio. Na terça-feira, os EUA dispararam um míssil contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã, enquanto as forças iranianas lançaram mísseis contra o Kuwait e o Barein, que não atingiram seus alvos, segundo fontes norte-americanas. Às 16h37, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 4 pontos-base, alcançando 4,491%.

Devido ao feriado de Corpus Christi na quinta-feira, o mercado brasileiro retornará às atividades apenas na sexta-feira.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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