Taxas dos Depósitos Interfinanceiros caem e Copom reafirma meta de inflação para 2028

A queda nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros reflete a cautela do mercado diante da meta de inflação reafirmada pelo Copom para 2028

Notas de 200 reais retratadas em Brasília

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de curto prazo apresentaram queda na manhã desta terça-feira, 23 de fevereiro de 2026, enquanto as de longo prazo registraram leves aumentos. Essa movimentação ocorreu em resposta à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reafirmou a meta de inflação para o primeiro trimestre de 2028. Às 9h58, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2027 estava em 14,185%, diminuindo 3 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,217%.

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Por outro lado, a taxa do DI para janeiro de 2035 subiu para 14,55%, um aumento de 3 pontos-base em relação ao ajuste anterior que era de 14,52%.

Reações ao Cancelamento do Leilão pelo Tesouro Nacional

No início da semana, especificamente na segunda-feira, dia 22, as taxas futuras haviam apresentado uma queda após o Tesouro Nacional decidir cancelar o leilão regular das Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), programado para esta terça-feira.

O mercado interpretou essa decisão como uma estratégia para aliviar a pressão sobre as taxas futuras, especialmente nas maturidades mais longas. Entretanto, nesta manhã, as taxas voltaram a subir, influenciadas pela recente decisão do Copom em cortar a Selic em 25 pontos-base, estabelecendo-a em 14,25%.

A ata do Copom destacou que a projeção atual para a inflação no quarto trimestre de 2027 é de 3,7%, o que está acima do centro da meta inflacionária fixada em 3%. O Banco Central enfatizou que alcançar os 3% até esse período exigiria ajustes significativos na Selic e resultaria em uma inflação abaixo desse patamar por vários trimestres consecutivos.

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Assim sendo, o colegiado considerou mais apropriadas trajetórias da Selic menos extremas, envolvendo períodos de pausa e retomada no ciclo de ajuste da taxa básica.

Cautela nos Mercados e Expectativas Futuras

A resposta dos investidores ao conteúdo da ata tem sido cautelosa. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, comentou que a ata confirmou um cenário desafiador para a política monetária e criticou o Banco Central por parecer confortável em não cumprir sua meta inflacionária habitual. “O BC tentou adotar uma postura mais rígida na ata, mas acabou demonstrando que continua flexível e à vontade com essa situação”, afirmou Tavares.

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Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, também expressou suas preocupações sobre a clareza das comunicações do Banco Central quanto à recuperação da inflação. Ele questionou se a ata conseguiria amenizar os sentimentos negativos observados nos mercados financeiros.

Nesta manhã, a curva brasileira exibia um padrão semelhante ao registrado após o anúncio do Copom semana passada: taxas curtas baixando enquanto as longas subiam, embora as oscilações fossem menores.

Esse comportamento reflete uma percepção crescente entre os investidores de que o Banco Central poderá realizar novos cortes na Selic em um futuro próximo. Na última sexta-feira (19), as opções sobre a Selic negociadas na B3 mostravam uma probabilidade de 68,50% para manutenção da taxa em agosto e apenas 26% para um corte de 25 pontos-base.

No dia da reunião anterior (16), as chances eram de 58% para manter e 38% para um corte.

No cenário internacional, os investidores continuam atentos às negociações entre os Estados Unidos e o Irã e especulam sobre possíveis elevações nas taxas de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano.