Tarifas dos EUA geram apreensão no setor industrial brasileiro; CNI e FIEMG se manifestam
Proposta de tarifas de 25% dos EUA gera apreensão no setor industrial brasileiro; CNI e FIEMG alertam para impactos negativos nas exportações.
Proposta de Tarifas dos EUA Gera Preocupação no Setor Industrial Brasileiro
Na noite de segunda-feira (1°), o USRT (Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgou uma proposta para impor tarifas de 25% sobre as importações brasileiras. Essa iniciativa gerou apreensão entre organizações do setor industrial, que temem a aprovação da medida pelo governo do presidente Donald Trump.
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Em um comunicado oficial na manhã de terça-feira (2), a CNI (Confederação Nacional da Indústria) destacou que “medidas tarifárias dessa natureza não contribuem para o fortalecimento da relação econômica bilateral” e podem ter efeitos adversos nas cadeias produtivas.
A CNI enfatizou a importância do diálogo e da análise técnica, considerando que a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é robusta, resultado de décadas de construção. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou: “De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”.
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Posicionamento das Federações de Indústrias
A FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) também se manifestou, alinhando-se à CNI ao afirmar que a proposta pode ter um impacto significativo na economia brasileira. A federação alertou que a imposição de tarifas adicionais, mesmo que parciais, pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e aumentar a incerteza para as empresas exportadoras, afetando investimentos e empregos relacionados ao comércio exterior.
A FIEMG defende que o governo brasileiro mantenha uma postura firme, mas diplomática, nas negociações com as autoridades americanas. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) expressou sua “profunda preocupação” em relação à proposta e apoiou uma ação rápida do governo brasileiro para evitar danos às exportações do país.
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Expectativas e Detalhes da Proposta
A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) também se pronunciou, ressaltando que o setor empresarial espera que os governos dos dois países intensifiquem esforços nas próximas semanas para encontrar uma solução para as questões em discussão.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, afirmou que é crucial abordar essas preocupações de forma colaborativa.
A proposta do USRT considera como motivação atos e políticas do governo brasileiro que podem ser investigados sob a Seção 301 da Lei do Comércio de 1974. Entre os pontos destacados estão o favorecimento do Pix, acordos de comércio preferenciais, etanol e desmatamento.
A audiência sobre a ação proposta está agendada para 6 de julho de 2026, com a aplicação da “medida corretiva” prevista para 15 de julho.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vê uma queda significativa na competitividade brasileira caso as tarifas sejam aprovadas, mesmo com investigações sobre “trabalhos forçados” na economia local. O Itamaraty observa que a lista de países afetados inclui a União Europeia e a China, além de nações com boas relações com Trump, como Argentina e Japão.
Fontes próximas às negociações com Washington indicam que o relatório preliminar do USTR pode ser visto como uma pressão nas discussões finais, sinalizando que as tarifas podem ser realmente implementadas. Contudo, após quase um ano de negociações sobre o “tarifaço” com a administração Trump, o Palácio do Planalto e o Itamaraty ainda acreditam na possibilidade de reverter ou flexibilizar as alíquotas sugeridas de 25%.