Susan Sarandon diz que ainda perde papéis no cinema por apoiar os palestinos
A atriz afirma que a mudança na opinião pública sobre Israel e Palestina ainda não reduziu a resistência de parte da indústria cinematográfica.
A atriz vencedora do Oscar Susan Sarandon, 79, disse neste domingo (6), durante o Festival de, que continua perdendo oportunidades profissionais por defender publicamente os palestinos. Ela participa do evento para divulgar “The Echo Chamber”, seu mais recente filme.
Na avaliação de Sarandon, a opinião pública mudou e hoje há maior questionamento sobre o apoio dos EUA a Israel. Ainda assim, ela afirmou que parte da indústria cinematográfica mantém resistência à contratação de artistas críticos ao país.
Sarandon relata perdas profissionais
“Ainda perdi papéis em filmes recentemente porque há agências que continuam dizendo às pessoas para não me contratarem”, afirmou a atriz aos repórteres. Para ela, a situação revela a permanência de uma estrutura de poder, embora sua posição seja mais bem recebida entre o público internacional.
“Acho que a narrativa mudou completamente no que diz respeito à relevância histórica da Palestina e aos laços dos sionistas com os Estados Unidos e nossa política”, declarou. Sarandon também disse que muitas pessoas passaram a perceber quanto dinheiro os Estados Unidos destinam a Israel.
Pesquisas de opinião recentes nos EUA apontaram queda no apoio a Israel e aumento da simpatia pelos palestinos desde o começo da guerra em Gaza, em 2023. Mesmo com essa mudança, a atriz afirmou que as consequências para sua carreira ainda existem.
Vencedora do Oscar por “Os Últimos Passos de um Homem” (1995), Sarandon também se tornou conhecida por trabalhos como “The Rocky Horror Picture Show” (1975), “Sorte no Amor” (1988) e “” (1991). Em 2023, ela foi dispensada pela UTA, sua agência de talentos de longa data, após comentários feitos em manifestações pró – palestinas realizadas depois do ataque do Hamas a Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.
Debate sobre a Palestina chega ao Festival de Veneza
A discussão também alcançou o Festival de Veneza deste ano. Ativistas pediram que os organizadores hasteassem a bandeira palestina como forma de reconhecimento aos diretores palestinos com filmes exibidos no evento.
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Alberto Barbera, diretor artístico, afirmou que a medida não poderia ser adotada porque a Itália não reconhece formalmente o Estado da Palestina. Ele ressaltou, porém, que vários filmes apresentados no Lido mostram a luta dos palestinos comuns.
Sarandon afirmou que a dificuldade de contratar profissionais que criticam abertamente Israel é especialmente forte entre os grandes estúdios. Ao agradecer a Andrea Pallaoro, diretor de “The Echo Chamber”, por tê – la escolhido para o filme, ela disse: “Encontrei minha família, encontrei meu povo e estou bem”.
A declaração foi recebida com aplausos prolongados na coletiva de imprensa.
Em “The Echo Chamber”, adaptado do roteiro final do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, a atriz interpreta uma cantora envelhecida que procura um produtor musical em recuperação do vício em medicamentos para ajudá – la a gravar um álbum de retorno.
O filme está entre os 21 concorrentes ao prêmio Leão de Ouro de Veneza, cuja entrega será realizada no dia 12 de setembro.