Surto de Ebola na República Democrática do Congo: 65 mortes e nova cepa preocupam autoridades

Um surto de Ebola na República Democrática do Congo já causou 65 mortes. A situação exige ação urgente e coordenação entre países vizinhos. Saiba mais!

15/05/2026 17:26

3 min

Surto de Ebola na República Democrática do Congo: 65 mortes e nova cepa preocupam autoridades
(Imagem de reprodução da internet).

Surto de Ebola na República Democrática do Congo

A principal agência de saúde pública da África anunciou nesta sexta-feira (15) a confirmação de um surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Até o momento, foram registradas 65 mortes entre 246 casos suspeitos.

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Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças divulgaram um comunicado informando que convocarão uma reunião urgente com representantes do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para intensificar os esforços de vigilância, preparação e resposta transfronteiriças.

De acordo com o comunicado, as mortes e os casos suspeitos foram principalmente relatados nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara. Além disso, quatro mortes foram confirmadas em laboratório. Casos suspeitos também foram identificados em Bunia, a capital da província.

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A agência destacou que as descobertas iniciais indicam a presença de uma cepa do vírus que não é originária do Zaire, como era anteriormente reconhecida a RD Congo, e o sequenciamento está em andamento para caracterizá-la melhor.

Desafios na Resposta ao Surto

Jean-Jacques Muyembe, virologista congolês e co-descobridor do Ebola, afirmou à agência Reuters que, com exceção de um, todos os 16 surtos anteriores no Congo foram causados pela cepa Zaire. A identificação de uma variante diferente pode complicar a resposta, uma vez que os tratamentos e vacinas existentes foram desenvolvidos para a cepa Zaire.

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A agência expressou preocupação com o risco de maior disseminação devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara, além do intenso movimento populacional e da mobilidade relacionada à mineração nas áreas afetadas, que estão próximas a Uganda e ao Sudão do Sul.

Jean Kaseya, diretor-geral do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, ressaltou a importância da rápida coordenação regional, considerando o elevado fluxo populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos. As primeiras amostras testaram positivo na quinta-feira (14), conforme informou a OMS.

A Organização Mundial da Saúde tomou conhecimento de casos suspeitos em 5 de maio e enviou uma equipe a Ituri para auxiliar na investigação, mas as amostras coletadas inicialmente testaram negativo, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Medidas de Resposta e Contexto Humanitário

Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira (14), elevando o total de casos positivos confirmados para 13, conforme declarado por Tedros. A OMS disponibilizou US$ 500.000 de seu fundo de contingência para emergências, visando apoiar a resposta, que inclui vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais e atendimento clínico.

Este novo surto ocorre em meio a uma crescente crise de segurança em Ituri, onde confrontos entre grupos de milícias rivais resultaram na morte de dezenas de civis nas últimas semanas.

A violência tem agravado uma situação humanitária já crítica, sobrecarregando ou tornando inoperantes algumas instalações de saúde na província, conforme relatado pela organização Médicos Sem Fronteiras. A organização alertou sobre as condições sanitárias precárias nos locais de deslocamento, aumentando o risco de surtos de doenças.

Este é o 17º surto de Ebola no Congo desde que a doença foi identificada pela primeira vez no país em 1976. O surto mais recente, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses, com um total de 64 casos, dos quais 45 resultaram em morte e 19 em recuperação.

A doença causada pelo vírus Ebola é uma enfermidade grave e frequentemente fatal, endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. A transmissão ocorre por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou indivíduos que faleceram devido à doença, conforme informado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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