Surto de Ebola na RDC e Uganda: OMS declara situação de emergência internacional
Surto de ebola na República Democrática do Congo e Uganda levanta preocupações globais. Descubra os detalhes e as medidas de enfrentamento adotadas!
Surto de Ebola na República Democrática do Congo e Uganda
No início de março de 2026, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram um alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O surto afetou até mesmo profissionais de saúde.
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Cerca de dez dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, a capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue coletadas no distrito de Rwampara. A análise laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo, um tipo de ebola, em oito das amostras.
Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país.
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Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou um surto de Bundibugyo após identificar um caso importado: um congolês que faleceu na capital, Kampala. No dia seguinte, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, após consultar os dois países, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo, tanto na RDC quanto em Uganda, é de importância internacional.
A OMS ressalta que o envolvimento da comunidade é crucial para o controle eficaz de surtos.
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Medidas de Enfrentamento e Características da Doença
As medidas de enfrentamento incluem o envio de equipes de resposta rápida, fornecimento de suprimentos médicos, reforço da vigilância e confirmação laboratorial, além da criação de centros de tratamento seguros e do engajamento da comunidade.
O ebola é classificado pela OMS como uma doença grave e frequentemente fatal, que afeta os humanos. O vírus é transmitido por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, e se espalha entre pessoas por meio do contato direto com fluidos corporais de pacientes infectados.
A taxa média de letalidade do ebola é de cerca de 50%, mas em surtos anteriores, essa taxa chegou a 90%. A OMS classifica o surto de ebola que ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus em 1976, com mais casos e mortes do que todos os outros surtos combinados.
Sintomas e Diagnóstico
O período de incubação do ebola varia de dois a 21 dias. A pessoa infectada não transmite a doença até o início dos sintomas, que incluem febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Posteriormente, podem surgir vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e comprometimento das funções renais e hepáticas.
Em casos menos frequentes, podem ocorrer sangramentos internos e externos. A OMS observa que pode ser difícil distinguir o ebola de outras doenças infecciosas, como malária e febre tifoide, o que torna necessário realizar testes diagnósticos para confirmar a presença do vírus.
Tratamento e Prevenção
O tratamento intensivo precoce, que inclui reidratação com fluidos orais ou intravenosos e tratamento de sintomas específicos, pode melhorar a sobrevida do paciente. Para a doença causada pelo vírus Ebola (DEV), a OMS recomenda o uso de anticorpos monoclonais.
No entanto, para outras doenças causadas pelo ebola, como o vírus Bundibugyo, não existem terapias aprovadas. Duas vacinas foram aprovadas para DEV: Ervebo e Zabdeno e Mvabea, sendo a vacina Ervebo recomendada como parte da resposta a surtos.
A OMS também elaborou uma lista com perguntas e respostas sobre o ebola, abordando aspectos como sintomas, transmissão e medidas de proteção. O vírus se espalha principalmente por meio do contato com fluidos corporais de pessoas infectadas, e a transmissão pode ocorrer ao cuidar de pacientes ou manusear corpos de pessoas que faleceram devido à doença.
Risco e Cuidados Necessários
Profissionais de saúde e assistentes sociais que têm contato próximo com pacientes, além de familiares e cuidadores, estão em maior risco de infecção. Caso uma pessoa tenha contato físico direto com alguém infectado, é essencial que busque orientação médica e siga as recomendações das autoridades de saúde, que incluem monitoramento da saúde por um período de 21 dias após a exposição.
Atualmente, existem dois tratamentos aprovados para adultos e crianças com a doença do vírus ebola: Ansuvimab e Inmazeb. A OMS não recomenda que pessoas com sintomas sejam tratadas em casa, sendo fundamental procurar atendimento em um centro de saúde.
O tratamento precoce em um centro de referência é crucial para aumentar as chances de recuperação.