STJ decide que namoro com filho e noivado não configura união estável após morte em 2021

A decisão do STJ levanta debates sobre a definição de união estável e suas implicações legais em relacionamentos contemporâneos.

19/08/2026 01:33

3 min

Sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília
Sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta terça – feira (18), que um namoro não pode ser considerado união estável após a morte de um homem em 2021. A votação, que ocorreu na Terceira Turma do tribunal, terminou com 3 votos contra 2 em favor da interpretação de que a relação entre o casal não preenche os requisitos para essa classificação legal.

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Apesar de terem um filho e estarem noivos, a decisão foi clara ao afirmar que o vínculo era apenas um namoro qualificado.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva foi o autor do voto que se opôs ao reconhecimento da união estável. Ele argumentou que as instâncias anteriores ao STJ já haviam decidido pela inexistência da união estável, considerando que se tratava de um namoro “qualificado”.

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Segundo ele, “o namoro qualificado e a união estável se diferenciam na intenção atual de formar uma família”. Cueva destacou que muitos relacionamentos amorosos apresentam características semelhantes às da união estável, mas isso não é suficiente para garantir sua formalização legal.

Argumentos em favor da união estável

A relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, defendeu a posição contrária. Abrindo a votação, ela questionou: “Eu não sei quantas qualificações existem nos namoros, mas enfim …” Andrighi enfatizou a relevância do contexto afetivo e familiar da relação em questão.

Ela destacou que o fato de o casal ter um filho em comum e compartilhar responsabilidades como alugueis e custos domésticos indicava uma convivência mais profunda do que um mero namoro.

A ministra Daniela Teixeira também apoiou o reconhecimento da união estável. Em seu voto, ela mencionou: “Enxerguei no caso muito mais que um namoro qualificado, tendo em vista o nascimento de filho comum e o aluguel de uma residência.” Para Teixeira, esses elementos demonstram uma intenção clara de construir uma vida conjunta e familiar, o que justifica a classificação como união estável.

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Repercussão da decisão

A decisão do STJ gerou discussões sobre os limites e definições legais das relações afetivas no Brasil. O tema da união estável é relevante em diversas esferas jurídicas, especialmente quando envolve questões patrimoniais e direitos sucessórios.

O entendimento atual reforça a ideia de que a simples coexistência ou afeto entre duas pessoas não é suficiente para caracterizar uma relação como união estável.

Os ministros Moura Ribeiro e Humberto Martins acompanharam o voto do ministro Villas Bôas Cueva, formando assim a maioria contra o reconhecimento da união estável. Essa divisão no tribunal reflete as diferentes interpretações sobre o que constitui uma relação afetiva digna dessa formalização legal.

Contexto histórico das uniões estáveis no Brasil

A discussão sobre a definição de união estável no Brasil tem raízes profundas na legislação e na sociedade. Desde a Constituição Federal de 1988, as uniões estáveis passaram a ser reconhecidas como entidades familiares equiparadas ao casamento civil, garantindo direitos semelhantes aos casais em situações de separação ou falecimento.

Contudo, cada caso traz suas particularidades e desafios interpretativos.

Essa recente decisão do STJ destaca ainda mais as complexities envolvidas nas relações modernas. A necessidade de proteção jurídica para casais que compartilham laços afetivos sem registro formal continua sendo um tema delicado no direito brasileiro.

Assim, enquanto algumas decisões buscam garantir direitos fundamentais aos indivíduos envolvidos em relacionamentos amorosos, outras levantam questionamentos sobre os critérios necessários para essa proteção legal.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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