Suspensão de Sigilo e Destruição de Relatórios em Caso Envolvendo Família de Ministro
Em 27 de fevereiro de 2026, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão da quebra do sigilo da empresa Maridt Participações, uma organização pertencente à família do ministro Dias Toffoli. A decisão, motivada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, levou à declaração de nulidade da atuação da CPI e à ordem para a destruição imediata de quaisquer relatórios fiscais relacionados ao caso.
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A medida foi tomada um dia após o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo, ter dispensado a necessidade de comparecimento dos irmãos de Toffoli à CPI do Crime Organizado.
Argumentos e Legitimidade do STF
Mendonça justificou sua decisão com base em jurisprudência do Tribunal, ressaltando a legitimidade do controle jurisdicional exercido pelo STF, mesmo diante dos poderes investigatórios concedidos às CPIs. O magistrado argumentou que essa ação não vulnera o princípio da separação de poderes, mas sim constitui uma exigência essencial para a ordem político-jurídica e o regime democrático.
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A decisão enfatizou o direito ao silêncio, à assistência de advogado e à proteção contra constrangimentos físicos ou morais para os requeridos, caso compareçam à audiência.
Detalhes do Caso e Conexões Financeiras
O caso remonta a transações ocorridas em 2025, envolvendo um fundo de investimento que adquiriu participação no empreendimento do resort Tayayá, onde o ministro Toffoli continuou a visitar seus irmãos após a venda do controle para Paulo Humberto Costa.
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O resort, localizado no norte do Paraná, cerca de 130 km de Marília, onde Toffoli reside, também possuía um condomínio de casas. A investigação revelou a participação de Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, proprietário de um dos fundos de investimento que adquiriu parte da participação dos irmãos de Toffoli no Tayayá.
Zettel, preso preventivamente em janeiro de 2026, teve um papel central na operação da Polícia Federal.
Declarações e Desmentidos
Em 22 de janeiro de 2026, José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, emitiu uma nota afirmando que a Maridt Participações não integra mais o Grupo Tayayá. A participação da empresa no resort foi vendida em duas operações, primeiro para o Grupo Arllen e depois para a PHD Holding, com todas as informações declaradas à Receita Federal.
A venda ocorreu em 2021, antes da suspeita sobre as operações da Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master, que foi alvo de investigação em agosto de 2025. Relatórios do Banco Central indicaram que fundos administrados pela Reag estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master em 2023 e 2024.
Investigação do Banco Master e Outras Citações
A operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal, investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras no mercado de capitais envolvendo o Banco Master. A suspeita é de desvio de ativos e ocultação de prejuízo.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal devido à existência de autoridades com foro privilegiado. A Polícia Federal apreendeu um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a ele, e ainda não compartilhou com o STF o conteúdo de dezenas de aparelhos eletrônicos apreendidos.
