STF Suspende Investigação Contra Ministro Toffoli em Caso Master
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na última quinta-feira (12 de fevereiro de 2026), que o ministro Dias Toffoli, que relatorias as investigações sobre o Banco Master, deveria deixar o caso após a divulgação de informações sobre o resort Tayaya.
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A decisão, que encerra o processo, foi motivada por um relatório de 200 páginas, elaborado pela Polícia Federal (PF) e considerado inepto pelo STF. O documento detalhava uma possível relação entre o banqueiro Victor Vorcaro e o ministro, além de apontar irregularidades envolvendo o resort Tayaya, que pertence à família de Toffoli.
Um dos pontos centrais da investigação era a possível ligação entre Toffoli e Vorcaro, evidenciada pela participação do ministro em eventos patrocinados pelo Banco Master. A PF alegava que essa proximidade poderia indicar uma relação de favorecimento ao banqueiro.
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A decisão do STF, no entanto, ressaltou a falta de provas concretas que sustentassem essas alegações, além da inadequação do relatório da PF.
Implicações Legais e Disputas
A decisão do STF gerou uma série de debates entre os ministros, que questionaram a legalidade da atuação da PF. Um dos principais argumentos era que a Polícia Federal não detinha legitimidade para apresentar um pedido de suspeição ou impedimento de um magistrado, uma vez que essa competência é exclusiva das partes envolvidas no processo, como a defesa ou o Ministério Público Federal.
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A discussão também envolveu a ex-mulher do ministro, Roberta Rangel, que trabalhou no escritório de Walfrido Warde, que também tinha Vorcaro como cliente. A participação de Roberta no escritório, que antecedeu o escândalo das fraudes no Master, foi outro ponto de controvérsia.
Reação da Polícia Federal e Proposta de Lei
Em reação à decisão do STF, duas associações de representantes da carreira dos delegados da PF apresentaram uma proposta ao presidente da Câmara dos Deputados para que pautasse um projeto de lei que estabeleça a competência da PF para pedir suspeição ou impedimento dos magistrados.
A iniciativa busca regularizar a atuação da Polícia Federal em casos envolvendo membros do Judiciário.
A PF, por sua vez, continuará a investigar o caso, sob a nova relatoria do ministro André Mendonça. A corporação se comprometeu a apresentar um novo relatório sobre o caso em 23 de fevereiro, detalhando todas as informações já apuradas.
Disputas e Controvérsias no Caso Master
Desde que o caso foi submetido à competência do STF em dezembro de 2025, a relação entre o então relator e os investigadores da PF foi marcada por tensões e divergências. Inicialmente, a PF questionou a ordem do ministro para estabelecer a acareação de Vorcaro com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e com o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Posteriormente, já na segunda fase da operação, o ministro criticou um atraso da PF em realizar a operação na data estipulada por ele. Além disso, houve o recolhimento das provas do Master para que fossem manipuladas só pelos peritos indicados pelo ministro.
A decisão final de Toffoli de deixar o caso, na última quinta-feira, encerra uma longa e complexa disputa judicial, que envolveu diversas instituições e personagens do cenário financeiro brasileiro.
