STF decide: caso de estupro com declaração chocante ganha repercussão geral! Ministro Moraes atua e busca justiça para Mariana Ferrer. André de Camargo Aranha acusado de crime hediondo
Em votação concluída nesta sexta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou seu apoio para que a Corte avalie o caso e estabeleça uma tese de repercussão geral sobre o constrangimento ilegal sofrido por vítimas em processos criminais relacionados a crimes sexuais.
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Essa decisão, caso aprovada, determinará que o entendimento final do julgamento seja seguido por todos os tribunais do país em situações semelhantes.
O julgamento no Supremo Tribunal Federal está programado para se estender até a próxima sexta-feira (27). Alexandre de Moraes, que atuava como relator do caso, foi o primeiro e, até o momento, o único a emitir seu voto. O ministro destacou que nenhuma das instâncias de justiça, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), havia considerado as alegações apresentadas por Mariana Ferrer, a vítima do crime.
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Mariana Ferrer, vítima de estupro, relatou ter sido alvo de humilhação durante uma audiência, quando o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho proferiu diversas declarações ofensivas, incluindo a frase “Eu jamais teria uma filha do teu nível”.
O incidente gerou grande repercussão e foi amplamente divulgado nas redes sociais em 2020, após uma gravação da audiência ter se tornado viral.
O principal acusado no caso é André de Camargo Aranha, que é acusado de ter drogado e, posteriormente, estuprado Mariana Ferrer em dezembro de 2018. Inicialmente, o juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, julgou improcedentes as denúncias e absolveu o réu.
Essa decisão foi confirmada pela segunda instância do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), que também não admitiu recursos aos tribunais superiores.
Mariana Ferrer encaminhou uma reclamação ao STF, alegando questões constitucionais relevantes, em especial a aplicação do princípio da dignidade da pessoa humana. A Primeira Turma do STF concedeu provimento à reclamação e determinou o envio do recurso para análise no Supremo, onde foi ajuizado com o pedido de que seu desfecho servisse de referência para casos semelhantes.
A vítima alegou que a questão sobre a nulidade da audiência em que o caso foi instruído não foi devidamente respondida durante o processo criminal.
O ministro Moraes considerou “oportuno” registrar em seu voto a transcrição completa da audiência, que ganhou grande repercussão. O texto completo pode ser acessado no portal do Supremo Tribunal Federal. Em resposta à repercussão da audiência de 2020, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigou o juiz Rudson Marcos, do TJSC, e aplicou uma advertência pelo episódio.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também anunciou que investigaria a conduta do advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho.
A repercussão do caso resultou na aprovação da Lei Mariana Ferrer (Lei 14.245/2021), que visa proteger vítimas de serem coagidas durante julgamentos. Além disso, foi aprovada a Lei de Violência Institucional (Lei 14.321/2022), que visa punir servidores que desrespeitem vítimas de crimes violentos.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.