Stellantis alerta sobre competitividade da indústria automotiva brasileira; quais os riscos?
Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, aponta desafios para a indústria automotiva brasileira frente à concorrência asiática. Quais mudanças
Alerta sobre Competitividade da Indústria Automotiva Brasileira
Nesta terça-feira (9), durante o fórum inédito Anfavea Visions, o presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, destacou os fatores estruturais que ameaçam a competitividade da frota e da indústria automotiva do Brasil em relação ao mercado asiático.
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O executivo enfatizou a necessidade de acelerar o desenvolvimento de novos veículos para se igualar às montadoras chinesas que estão entrando no mercado. Zola acredita que essa velocidade pode ser comprometida pela disparidade na escala produtiva e pela proposta de fim da jornada de trabalho 6×1.
Agilidade como Fator de Sobrevivência
Segundo Zola, o modelo tradicional das montadoras ocidentais, que se baseia em longos ciclos de planejamento e lançamento de veículos, está se tornando obsoleto diante da rapidez das concorrentes asiáticas. Ele argumenta que o ritmo de atualização precisa ser alterado para que o Brasil permaneça competitivo. “Para que a gente possa ser competitivo, o timing de desenvolvimento de produto precisa ser diferente daquele que a gente tinha na indústria ocidental”, afirmou.
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Impactos da Alteração da Jornada de Trabalho
O executivo também discutiu os possíveis efeitos da proposta de mudança na jornada de trabalho que está sendo debatida no país. Ele alertou que isso pode ter um impacto financeiro e operacional nas linhas de montagem locais, especialmente em comparação com o regime de alta carga horária adotado na China. “Do ponto de vista do custo de produção, em comparação ao que acontece na China, piora a nossa competitividade”, disse Zola, ressaltando que as horas trabalhadas na China são significativamente maiores do que as que seriam no Brasil, caso a nova proposta seja aprovada.
Desafios da Nacionalização e Escala Produtiva
Historicamente, a rentabilidade das montadoras no Brasil esteve ligada ao índice de nacionalização de autopeças. Contudo, a alta nos custos quebrou essa lógica, exigindo uma postura proativa do governo. “Nos últimos anos, a indústria sempre trabalhou pautada pela localização.
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Quanto maior o nível de localização, maior a competitividade. Essa lógica, no momento atual, está sendo desafiada”, afirmou Zola.
Para reverter esse cenário de desvantagem, o representante da Stellantis defende que o governo implemente mecanismos de compensação baseados no volume de componentes produzidos localmente. “É fundamental que o governo avalie todo esse processo para entender se não existem movimentos para estimular a indústria nacional, baseado no nível de localização, ajudando a equalizar a diferença entre os custos de produção no Brasil e na China”, concluiu.
Ele destacou que a escala é crucial, mencionando que o Brasil produz cerca de 3 milhões de carros por ano, em contraste com quase 30 milhões na China.