A SpaceX, de Elon Musk, libera acesso gratuito ao Starlink no Irã, desafiando a censura do regime e apoiando ativistas em meio a protestos.
A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, disponibilizou acesso gratuito à internet via satélite Starlink para usuários no Irã. Essa iniciativa ocorre em meio à repressão do regime iraniano aos protestos antigovernamentais, conforme informações de um especialista em tecnologia que se comunicou com usuários do serviço no país.
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Contas do Starlink que estavam inativas no Irã foram reativadas, e as taxas de assinatura foram suspensas a partir de terça-feira (13), conforme relatou Ahmad Ahmadian, diretor-executivo da organização sem fins lucrativos Holistic Resilience. Ele explicou que a conexão é simples: “É só conectar… basta colocar o terminal de satélite em um local com boa visibilidade do céu”.
Embora a oferta de acesso gratuito seja um avanço para os ativistas, especialistas alertam que isso beneficiará apenas uma fração da população iraniana, que conta com 92 milhões de habitantes. A situação de bloqueio de informações no país faz com que o Starlink seja, em muitos casos, “a única maneira de divulgar” informações sobre os manifestantes, afirmou Ahmadian.
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Com milhares de satélites em órbita baixa, o Starlink se tornou uma ferramenta importante do soft power dos EUA em regiões com restrições severas, como o Irã e a Ucrânia. Durante uma conversa recente, o ex-presidente Donald Trump expressou apoio aos manifestantes, afirmando que todas as opções, incluindo ações militares, estão em discussão.
Segundo Doug Madory, da empresa de monitoramento de redes Kentik, o regime iraniano criou um “Grande Firewall” que bloqueia a maior parte do tráfego não autorizado. Ele destacou que a conexão à internet no Irã é controlada por apenas duas empresas, facilitando o bloqueio por parte do governo.
Atualmente, as autoridades iranianas utilizam diversas táticas para interferir nos sinais do Starlink, algumas delas de “nível militar”, semelhantes às ações da Rússia na Ucrânia. Para contornar essas restrições, ativistas de direitos digitais têm solicitado maior acesso à internet para os iranianos.
Embora a Starlink não tenha licença oficial para operar no Irã, Musk já afirmou que o serviço está disponível no país. Após o conflito de 12 dias entre Israel e Irã no ano passado, o uso do Starlink foi criminalizado, mas a demanda pelo equipamento aumentou, mesmo com o risco de punições severas.
Mahsa Alimardani, especialista em tecnologia da organização de direitos humanos Witness, comentou que existem cerca de 50 mil receptores Starlink no Irã. Ela acredita que, se a capacidade de transmissão fosse ampliada, isso poderia servir como um fator de dissuasão para o regime em suas ações repressivas.
Além do Starlink, o governo dos Estados Unidos tem financiado redes virtuais privadas (VPNs) e outras ferramentas para ajudar os iranianos a contornar a censura. No entanto, o governo Trump cortou o financiamento para esses esforços no ano passado, o que gerou frustração entre funcionários do Departamento de Estado.
Embora algumas organizações ainda recebam apoio, há receio em discutir publicamente os detalhes por medo de perder o financiamento. A CNN entrou em contato com o Departamento de Estado para obter um posicionamento, mas não obteve resposta. A Missão Permanente do Irã junto às Nações Unidas também se recusou a comentar sobre a situação.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.