Sobretaxa de 25% dos EUA pode impactar US$ 16,5 bilhões das exportações brasileiras

A proposta de sobretaxa de 25% dos EUA pode impactar US$ 16,5 bilhões das exportações brasileiras. Descubra como isso afeta o agronegócio e o Rio Grande do Sul!

(Imagem de reprodução da internet).

Impacto da Sobretaxa de 25% nas Exportações Brasileiras para os EUA

A proposta do governo dos Estados Unidos de implementar uma sobretaxa de 25% sobre importações pode afetar diretamente US$ 16,5 bilhões das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, representando 43,7% de toda a pauta exportadora nacional para o país.

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Essa estimativa foi divulgada em uma nota técnica nesta terça-feira (2) pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul.

O documento, que se baseia na proposta conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), indica que o impacto tarifário potencial poderia chegar a US$ 4,1 bilhões, considerando apenas os produtos que seriam afetados pela nova cobrança.

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No setor do agronegócio, embora o efeito seja menor em termos proporcionais, ainda é significativo. Dos US$ 11,4 bilhões exportados pelo setor para os Estados Unidos em 2025, aproximadamente US$ 4,19 bilhões, ou 36,8% do total, estariam sujeitos à nova tarifa, resultando em um impacto potencial de US$ 1,05 bilhão.

Vulnerabilidade do Rio Grande do Sul

A nota destaca que o Rio Grande do Sul é o estado mais vulnerável a essa medida, com um impacto potencial de US$ 334 milhões nas exportações para os EUA. Enquanto 43,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estariam sujeitas à tarifa, no caso do Rio Grande do Sul, esse percentual sobe para 81,1%.

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No agronegócio do estado, a exposição é ainda maior, com 74,9% das vendas ao mercado americano em risco.

Segundo a Farsul, a maior vulnerabilidade do estado está relacionada à composição da pauta exportadora, que é concentrada em produtos florestais, madeira e fumo, itens que não estão incluídos nas listas preliminares de exclusão da proposta americana.

Entre os produtos mais afetados do agronegócio brasileiro, destaca-se o sebo bovino, com exportações de US$ 416 milhões e um impacto potencial de US$ 104 milhões, caso a tarifa seja implementada.

Produtos em Risco e Exceções

Outros produtos que podem ser afetados incluem obras de marcenaria e carpintaria de madeira (US$ 248 milhões), madeira perfilada de coníferas (US$ 234 milhões), madeira compensada (US$ 220 milhões) e madeira serrada de pinus (US$ 212 milhões). No Rio Grande do Sul, os principais produtos expostos são o fumo não manufaturado do tipo Virgínia, com exportações de US$ 122 milhões, seguido por madeira serrada de pinus (US$ 81 milhões), calçados de couro (US$ 62 milhões), fumo Burley (US$ 49 milhões) e sebo bovino (US$ 33 milhões).

A proposta em discussão faz parte de uma análise conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. Os temas abordados incluem práticas relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.

A nota ressalta que alguns produtos relevantes para o agronegócio brasileiro, como carne bovina fresca, café em grão, suco de laranja concentrado e fertilizantes, já estão na lista de exclusões da proposta, o que pode ajudar a mitigar o impacto sobre determinados segmentos.

Considerações Finais

Por outro lado, o fumo, um dos principais produtos da pauta gaúcha, não está entre os itens excluídos. A Farsul observa que os valores estimados não necessariamente representam perdas diretas para os exportadores, pois os efeitos podem se manifestar por meio de redução de margens, repasse de preços, queda no volume embarcado ou perda de participação de mercado.

A entidade acredita que a negociação sobre a lista final de produtos incluídos e excluídos será crucial para determinar a magnitude dos impactos econômicos sobre o Brasil, especialmente sobre o Rio Grande do Sul.