Ofensiva Relâmpago em Síria: Um Novo Capítulo para o País
Em novembro de 2024, uma ofensiva surpresa varreu a Síria, marcando uma reviravolta no conflito que há mais de uma década assolava o país. Iniciada em Aleppo, a ação rapidamente se expandiu pelo sul, desafiando o regime de Bashar al-Assad, que, até então, controlava a maior parte do território com o apoio da Rússia e do Irã.
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O Papel do Hayat Tahrir al-Sham (HTS)
O grupo militar islâmico, ligado publicamente à Al-Qaeda até 2016, desempenhou um papel central na ofensiva. Segundo Tito Lívio Barcellos Pereira, geógrafo da USP e doutorando em Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas ao Poder360, o sucesso da ação se deveu à deterioração econômica e estrutural do país, agravada pelas sanções econômicas impostas por democracias ocidentais.
Circunstâncias Favoráveis ao Levante
A situação da Síria em 2024 era particularmente frágil. Além das sanções, o governo enfrentava dificuldades financeiras, incluindo o não pagamento de funcionários públicos, o que afetava o exército e milícias leais ao regime. Adicionalmente, aliados históricos do governo, como o grupo iraniano Hezbollah, estavam sob ataque de Israel e a Rússia estava envolvida na guerra na Ucrânia, o que reduzia a capacidade de resposta de Assad.
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Novo Governo e Perspectivas
Após a queda de Assad, o HTS, liderado por Ahmed al-Sharaa, estabeleceu um governo interino. Embora tenha recebido apoio da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, o grupo adota uma agenda conservadora e reacionária, diferente das expectativas iniciais da Primavera Árabe.
Em janeiro de 2025, as sanções norte-americanas foram suspensas.
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Eleições e Desafios
Em outubro de 2025, o governo interino realizou eleições indiretas, que não abrangiam todas as regiões do país, especialmente as de maioria curda e drusos. O governo justificou a votação limitada devido ao deslocamento de milhões de sírios e à falta de registros civis.
O objetivo era legitimar o governo para estabelecer negócios e garantir a estabilidade do país, principalmente perante potências ocidentais e a Arábia Saudita.
Esta reportagem foi produzida pelo estagiário de jornalismo João Lucas Casanova sob supervisão da editora-assistente Aline Marcolino.
