Setor turístico de Cuba enfrenta crise severa com queda de 58% no número de visitantes em 2026
A crise no setor turístico cubano se agrava com a combinação de sanções dos EUA e a queda acentuada no número de visitantes, impactando a economia local.
O setor turístico de Cuba enfrenta uma grave crise, com a economia da ilha em declínio acentuado devido a sanções impostas pelo governo Trump. As praias de areia branca e as fortalezas coloniais, que costumavam atrair visitantes, agora estão desertas.
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Os impactos das restrições começam a ser sentidos de forma intensa, e muitos pontos turísticos se tornaram cidades – fantasmas.
Em Havana Velha, o coração histórico da capital cubana, a situação é alarmante. Elio, um músico que toca tradicionalmente na região há quase 30 anos, lamenta: “Não há turistas”. Ele observa que apenas um ou outro visitante aparece a cada meia hora.
Nos primeiros cinco meses de 2026, apenas 360 mil turistas visitaram a ilha, representando uma queda de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contraste, a República Dominicana recebeu mais de dez vezes esse número no mesmo intervalo.
Impactos das sanções econômicas
A situação econômica se agravou ainda mais após o ataque militar dos EUA à Venezuela em janeiro, o que cortou um suprimento essencial de petróleo para Cuba. O bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos trouxe novas dificuldades, levando companhias aéreas a cancelar voos por não conseguirem reabastecer na ilha.
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Além disso, novas sanções foram direcionadas a empresas estrangeiras que negociam com os militares cubanos, responsáveis por grande parte do setor turístico. Isso resultou na saída de várias redes hoteleiras internacionais do país. O governo Trump justifica essas medidas como uma tentativa de pressionar Cuba a abrir seu sistema político e permitir investimentos estrangeiros diretos.
Em uma entrevista ao site Axios em junho, Trump comparou o potencial turístico cubano ao petróleo da Venezuela: “Cuba tem uma propriedade bonita e uma bela costa”, afirmou ele. Entretanto, essa pressão econômica tem deixado o setor turístico cubano em estado crítico.
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Cenário desolador para o turismo
A pandemia já havia afetado severamente o turismo na ilha e as sanções dos EUA só pioraram a situação. Operadoras como a Cubania Travel suspenderam todas as viagens por tempo indeterminado devido à falta de clientes. Lucy Davies, diretora da Cubania, observa que muitos turistas hesitam em visitar um país com tantas dificuldades sociais: “Vir para Cuba no momento virou uma espécie de ‘turismo macabro’”.
Com isso, Davies tem mobilizado antigos clientes para arrecadar donativos de alimentos para os cubanos afetados pela crise. Ela reconhece que não será possível ajudar todos os necessitados, mas acredita que essas ações fazem diferença: “É uma gota no oceano, mas é o que podemos fazer”.
Apostas arriscadas do governo cubano
A pressão econômica dos EUA chega em um momento crítico para Cuba, que nos últimos anos investiu pesadamente na construção de novos hotéis. Agora muitos desses empreendimentos estão vazios e sem perspectivas claras para o futuro. O presidente Miguel Díaz – Canel anunciou em junho um novo pacote de reformas e disse estar aberto a investidores cubanos no exterior para gerenciar hotéis.
No entanto, economistas como Pedro Monreal questionam se o jovem setor privado cubano terá capacidade para assumir essa responsabilidade. Segundo ele, seria irrealista esperar que os cubanos substituíssem as grandes redes hoteleiras sem os recursos necessários.
Monreal ressalta que o investimento excessivo em infraestrutura turística foi feito às custas de áreas essenciais como saúde e educação. Essa dependência do turismo agora se transforma em um problema significativo para o governo cubano diante das sanções severas aplicadas por Trump.
O futuro incerto do turismo em Cuba
No cenário atual, os hotéis vazios simbolizam não apenas uma indústria em colapso, mas também as esperanças frustradas de um futuro econômico promissor para Cuba. A continuidade da construção de novos estabelecimentos hoteleiros parece ignorar a realidade do mercado e os desafios enfrentados pelo país.