Setor de Trigo se Prepara para Desafios na Safra 2026/27 com Postura Cautelosa

Setor de trigo se prepara para a safra 2026/27 com cautela, enfrentando incertezas e altos custos. Paloma Venturelli alerta para desafios e dependência de

20/04/2026 05:06

3 min

Setor de Trigo se Prepara para Desafios na Safra 2026/27 com Postura Cautelosa
(Imagem de reprodução da internet).

Setor de Trigo Adota Postura Defensiva para a Safra 2026/27

Em meio a um cenário de incertezas na safra, altos custos e forte dependência de importações, o setor de trigo se prepara para uma abordagem mais cautelosa na safra 2026/27. Paloma Venturelli, presidente do Moinho Globo, afirma que “não é momento de fazer grandes investimentos”.

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Segundo ela, a prioridade das empresas deve ser a preservação das margens, a busca por eficiência e a adaptação dos processos em um mercado que se mostra cada vez mais volátil e competitivo.

“Vejo que será um ano bastante desafiador e com imagens menores”, comenta a executiva, que aponta diversos fatores que impactam a cadeia produtiva. Venturelli destaca que “já são novos custos e novas realidades, estamos em um outro patamar. E isso não vai diminuir.

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Mesmo que a guerra termine amanhã, as consequências ainda serão sentidas nos próximos seis a oito meses. Portanto, o ano já está comprometido”, afirma.

Incertezas na Safra e Dependência Externa

A safra de trigo ainda apresenta um alto grau de incerteza. No Paraná, principal polo produtor e moageiro do Brasil, as estimativas de redução de área cultivada variam entre 6% e 18%, refletindo um ambiente de especulação e indefinição. Apesar disso, Venturelli espera alguma compensação em termos de produtividade, embora ressalte que os resultados só serão confirmados quando o grão estiver armazenado.

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O desafio estrutural persiste, com o Brasil ainda longe da autossuficiência e prevendo um ano possivelmente recorde de importações. A dependência externa se intensifica, especialmente até a chegada das safras locais e argentinas, expondo o setor a custos logísticos elevados, como o frete marítimo, e a gargalos de embarque devido à demanda global aquecida.

No Paraná, onde a demanda anual ultrapassa 4 milhões de toneladas, eventuais quebras de safra podem aumentar o déficit de abastecimento, forçando a busca por produtos em outros estados e, principalmente, na Argentina.

Qualidade do Trigo e Estratégias da Indústria

A qualidade do trigo também é uma preocupação, afetada por restrições econômicas que levam os produtores a reduzir investimentos em insumos e manejo. Diante desse cenário, a indústria tem intensificado suas estratégias para manter o padrão de qualidade.

O uso de blends, que consiste na mistura de diferentes tipos de trigo, se torna ainda mais crucial, exigindo um esforço maior em pesquisa, desenvolvimento e controle para equilibrar custo e desempenho, uma vez que trigos de melhor qualidade apresentam preços mais altos.

Em relação aos investimentos, Venturelli ressalta que a automação é uma tendência inevitável, especialmente devido à escassez de mão de obra em atividades operacionais mais intensivas. Contudo, ela enfatiza que, embora os investimentos em eficiência sejam necessários, o momento não é propício para expansões agressivas. “A recomendação é cautela.

Empresas mais capitalizadas podem avançar, mas o cenário geral pede conservadorismo”, afirma.

Ajustes Internos e Contexto Internacional

Segundo Venturelli, os anos de 2026 e 2027 devem ser marcados por ajustes internos, com foco na revisão de processos, redução de desperdícios e aumento da produtividade. “É uma oportunidade para olhar para dentro, entender onde se perde dinheiro e melhorar a gestão.

Cada real conta”, destaca.

O contexto internacional também influencia, com a guerra e seus efeitos sobre energia e cadeias produtivas elevando custos e criando um novo patamar de preços, cujos impactos devem persistir por pelo menos seis a oito meses, mesmo que o conflito se normalize.

Assim, as margens tendem a continuar sob pressão. A estratégia do setor tem sido gradual, com reajustes sendo aplicados há cerca de dois meses, em doses contínuas, para evitar perdas abruptas em um ambiente de competição acirrada.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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