Sete em cada dez gestores enfrentam desafios graves com violências nas escolas públicas brasileiras

Sete em cada dez gestores de escolas públicas enfrentam desafios para combater a violência escolar. Descubra os dados alarmantes da pesquisa da FFC e suas

(Imagem de reprodução da internet).

Desafios na Gestão Escolar e Violências no Ambiente Educacional

Sete em cada dez gestores de escolas públicas enfrentam dificuldades significativas para discutir o enfrentamento de diferentes formas de violência no ambiente escolar, como bullying, racismo e capacitismo, que é o preconceito contra pessoas com deficiência.

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Esse dado, que revela um índice de 71,7%, faz parte da pesquisa “Leitura Guiada”, realizada pela FFC (Fundação Carlos Chagas) em 105 instituições de ensino. O diagnóstico gerou a criação do Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, lançado no âmbito do PROEA (Programa Escola das Adolescências) do MEC (Ministério da Educação).

A pesquisa também destaca o abismo relacional e a crise de pertencimento que afetam o ecossistema educacional brasileiro. Além do silenciamento em relação às discriminações em sala de aula, 67,9% dos gestores relataram dificuldades severas na aproximação entre a escola, as famílias e a comunidade.

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Mais de 60% indicaram adversidades crônicas nas relações entre professores e estudantes, além de desafios no desenvolvimento do sentimento de pertencimento dos alunos.

Fatores que Complicam a Situação

De acordo com Adriano Moro, pesquisador da FCC (Fundação Carlos Chagas) e um dos especialistas responsáveis pela análise, as instituições têm falhado em construir um repertório institucional e técnico para identificar e combater problemas complexos de natureza estrutural. “Frequentemente, o termo ‘violência’ é usado de forma genérica, o que acaba diluindo conflitos de natureza estrutural, como misoginia, discriminação social, racismo e capacitismo”, explica Moro.

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Ele identifica três fatores centrais para essa dificuldade: a naturalização da violência, que é tratada erroneamente como ‘brincadeira’; a fragilidade na formação de professores e gestores; e a sobrecarga institucional, que força as equipes a atuarem de forma reativa, apenas ‘apagando incêndios’.

Polarização e Distanciamento na Comunidade Escolar

A pesquisa revela que o distanciamento entre a comunidade escolar e o entorno foi severamente agravado pela polarização ideológica. Moro aponta que o ambiente hostil fez com que muitas escolas operassem de forma defensiva, gerando um ciclo em que as famílias se sentem excluídas e o corpo docente se vê desautorizado.

Para ele, a solução não está em tentar agradar a todas as vertentes, mas em restabelecer pactos mínimos de convivência democrática nas escolas.

“Precisamos substituir a lógica da convocação e do controle pela participação real. Uma instituição com um clima escolar positivo não elimina os conflitos sociais, que são inerentes à sociedade, mas desenvolve a capacidade de mediá-los de forma dialógica, sem transformar diferenças em hostilidades permanentes”, ressalta o especialista.

Efeitos da Evasão e Desengajamento dos Estudantes

Os reflexos desse cenário impactam diretamente o engajamento dos estudantes. Os dados mostram que 64,1% dos gestores enfrentam barreiras para fortalecer os relacionamentos entre os alunos, enquanto 49% lutam para garantir um ambiente seguro dentro da escola.

Moro alerta que essa crise nas relações interpessoais provoca um esvaziamento do significado da escola pública para os jovens, resultando em desengajamento e no que ele classifica como “evasão simbólica”, onde o estudante está presente fisicamente, mas desconectado do processo educativo.

“A escola perde seu significado subjetivo e deixa de ser vivida como uma comunidade, passando a ser vista apenas como uma obrigação burocrática. A convivência deve ser parte central do projeto pedagógico, pois é fundamental para a formação integral do sujeito.

A crise do pertencimento nos leva a uma pergunta crucial: como fazer a escola voltar a ser um espaço onde as pessoas desejam estar, participar e construir algo coletivamente?”, indaga o pesquisador.

O Novo Guia de Clima Escolar Positivo

O novo Guia de Clima Escolar Positivo, instituído pela Portaria MEC nº 635/2024, tem como objetivo fornecer às equipes gestoras ferramentas práticas para reverter esses índices, com foco na humanização, acolhimento e mediação de conflitos, transformando as escolas em ambientes mais seguros e integrativos.

Desafios Identificados pelos Gestores Públicos

  • Dialogar sobre enfrentamento a violências (bullying, racismo, capacitismo): 71,7%
  • Aproximação entre escola, famílias e comunidade: 67,9%
  • Fortalecer relacionamentos entre os estudantes: 64,1%
  • Desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos: 60,3%
  • Entraves na relação direta entre estudantes e professores: 60,3%
  • Promover o sentimento de segurança entre os estudantes: 49,0%