Serra Verde: Operação Estrangeira e Críticas do Governo Lula em 2026

Serra Verde: Operação Estrangeira e Críticas do Governo Lula! A venda da mineradora para a USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões causa furor. O que está por trás

06/05/2026 16:52

5 min

Serra Verde: Operação Estrangeira e Críticas do Governo Lula em 2026
(Imagem de reprodução da internet).

Mineradora da Serra Verde: Uma Operação Estrangeira e o Debate em Curso

A mineradora da Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, protagonizou uma movimentação de grande impacto no cenário econômico brasileiro, culminando na venda da empresa para a USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões em abril de 2026. O noticiário nacional, com forte influência do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) e de aliados como o Partido Socialista Brasileiro (Psol), tem divulgado informações sobre a suposta entrega do negócio para o capital dos Estados Unidos, levantando questionamentos sobre a autonomia da nação.

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O Contexto Político e as Críticas

As assertivas iniciais, amplificadas pelo governo Lula e seus correligionários, apontavam para uma autorização governamental para a venda de uma empresa estratégica brasileira. O Psol, aliado do governo, solicitou a atuação da Procuradoria Geral da República para impedir a venda da Serra Verde.

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Essa reação demonstra a sensibilidade em torno da operação, vista como uma possível ameaça à soberania nacional. A narrativa em torno da venda da empresa se intensificou com o papel do marqueteiro Sidônio Palmeira, atualmente ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, que popularizou o slogan “o Brasil é dos brasileiros”, buscando fortalecer a defesa da nacionalidade.

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A Realidade da Serra Verde: Capital Estrangeiro e Ausência de Fundação Nacional

Contudo, a história da Serra Verde revela uma realidade diferente daquela apresentada. A empresa foi constituída em 2010 com capital integralmente estrangeiro, proveniente de Boston, Houston e do Reino Unido, com a liderança do ex-CEO da Xstrata, Mick Davis.

Não há fundador brasileiro, nem fundo nacional associado à empresa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu empréstimos em 2025 para apoiar o empreendimento, controlado por capital estrangeiro, no governo Lula.

Transferência de Titularidade e o Papel da União

Em abril de 2026, o capital estrangeiro passou de mãos, saindo da estrutura euro-americana para outra empresa americana. O governo do estado de Goiás não exerceu qualquer autorização nesse processo, pois a competência para a operação é federal, conforme o artigo 20, inciso 9, da Constituição.

A União, por meio de seus órgãos, atuou na negociação, o que gerou críticas sobre a possível perda de controle sobre os recursos minerais do país.

Controles de Escoamento e a Cláusula de Ofset

A complexidade da operação se intensificou com a atuação da USA Rare Earth, que adquiriu a Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. A empresa estabeleceu um contrato de fornecimento exclusivo por 15 anos, com preços mínimos garantidos, e impôs controles de escoamento (offtake) através da Agência de Desenvolvimento da Financiamento dos Estados Unidos (DFC).

Essa cláusula permitiu que o credor definisse, no todo ou em parte, para onde o produto extraído poderia ser vendido, excluindo a China. A DFC, por meio de Conor Coleman, chefe de investimentos, explicitamente definiu que os metais deveriam ser destinados aos Estados Unidos e países aliados.

A Reação do Itamaraty e o Discurso Patriótico

A reação do Itamaraty, ministério sob o comando do governo Lula, à pergunta do Financial Times sobre os controles de escoamento, foi considerada um “silêncio diplomático”, que, na prática, confirmou que o tema era de interesse do governo federal.

A omissão gerou críticas sobre a falta de transparência e a possível manipulação da narrativa em torno da operação. O PT e o presidente Lula, em discursos e campanhas de marketing patriótico, intensificaram o discurso de defesa da soberania nacional, buscando mobilizar apoio popular.

O Projeto de Lei sobre Minerais Críticos e a Omissão Inicial

O projeto de lei sobre minerais críticos, apresentado pelo governo em 2026, surgiu após a consolidação da operação, como um instrumento para fortalecer o discurso de soberania mineral em um ano eleitoral. Antes da apresentação do projeto, houve uma omissão generalizada do governo brasileiro, com o Itamaraty à frente, sobre a troca de propriedade da Serra Verde.

A ANM, o Cade e o Ministério de Minas e Energia também não se manifestaram publicamente com análises prévias da operação. A frase que o Itamaraty ofereceu como reação à pergunta do jornal Financial Times desmonta a crítica que hoje o Planalto e o PT fazem a respeito da venda da Serra Verde.

Em 2024, Lula, na ONU, falou sobre “falsos patriotas” como forma de se contrapor ao discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus seguidores. Em 2025, surgiu a campanha , num intervalo do “Jornal Nacional”, da TV Globo. Depois do ao Brasil, em julho de 2025, e a muitos outros países, o PT e o presidente da República aceleraram no discurso e no conteúdo de propagandas com tom patriótico.

Em , no 17º Encontro Nacional do PT, em Brasília, expressões “Brasil soberano” e “Brasil dos brasileiros” estampavam bonés dos petistas presentes.

Apesar de toda essa operação de marketing patriótico, houve omissão do governo brasileiro, com o Itamaraty à frente, sobre a troca de propriedade da Serra Verde. Os detalhes completos da operação receberam pouca ou nenhuma crítica do Planalto.

E esses detalhes tiveram visibilidade mínima na mídia brasileira.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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