Ser Educacional registra lucro de R 106 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 30,7%
O crescimento robusto da Ser Educacional reflete uma adaptação bem-sucedida às novas demandas do mercado, apesar dos desafios enfrentados no ensino a distância.
O Grupo Ser Educacional divulgou resultados impressionantes no segundo trimestre de 2026, registrando um lucro líquido de R 106 milhões entre abril e junho. Esse valor representa um crescimento de 30,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O Ebitda ajustado, que mede o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, cresceu 10%, alcançando mais de R180 milhões. Além disso, a dívida líquida ajustada caiu 31%, totalizando R 443 milhões, equivalente a 0,75 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda.
O número total de alunos matriculados nas instituições do grupo chegou a 344 mil ao final de junho.
Transformações na base de estudantes
Jânio Diniz, CEO do Grupo Ser Educacional, destacou que a mudança no perfil dos estudantes foi um fator crucial para o bom desempenho financeiro da empresa. O ensino presencial agora representa 58% da base de alunos e mais de 87% da receita gerada pela companhia.
No entanto, o ensino a distância (EAD) enfrenta desafios significativos devido a novas regulamentações implementadas no ano passado. Essas alterações criaram novas modalidades e aumentaram a pressão sobre os custos e o ticket médio. Diniz afirmou que a empresa estava preparada para as mudanças na legislação, o que ajudou a mitigar os impactos negativos.
A captação no ensino a distância e semipresencial caiu 33,9% no trimestre, enquanto a evasão nessas modalidades subiu para 29%. O executivo atribuiu essa situação à pressão regulatória e à política de renegociação adotada pela companhia. Apesar dessa retração no setor digital, o impacto nos resultados gerais foi limitado, já que o EAD responde por cerca de 12% da receita total da empresa.
Estratégias para os próximos trimestres
Para os próximos meses, o foco do Grupo Ser Educacional será otimizar o uso dos espaços físicos. A meta é aumentar o número médio de alunos por unidade — atualmente acima de 3.200 — e reduzir os descontos oferecidos nas matrículas. Diniz mencionou que ajustes nos descontos podem ajudar a melhorar o ticket médio, que tem acompanhado a inflação.
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A companhia planeja ainda abrir entre três e cinco novas unidades no próximo ano, utilizando o modelo asset light com capacidade para até 4 mil ou 5 mil alunos, especialmente em shopping centers. Outro ponto importante é o programa Ser Solidário, que substituiu os descontos diretos na matrícula por um modelo de financiamento diluído ao longo do curso.
Segundo Diniz, esse programa teve uma inadimplência dentro das expectativas e superou as projeções iniciais.
Alocação de capital e distribuição de dividendos
Com uma alavancagem financeira considerada confortável após refinanciamentos que reduziram o custo da dívida — passando de CDI mais 2% para CDI mais 1,1% — a empresa planeja direcionar seus recursos para expansão orgânica e otimização das estruturas existentes.
A retomada da distribuição de dividendos também está nos planos da companhia.
Diniz enfatizou que neste momento a prioridade é expandir as operações e que a redução do endividamento deve aumentar a capacidade da empresa para realizar investimentos nos próximos anos.