Fenilcetonúria: Nova esperança surge no tratamento! 🚨 A doença genética rara desafia pacientes. Descubra como a sepiapterina e avanços no monitoramento podem mudar a vida de quem vive com PKU
A fenilcetonúria (PKU) é uma doença genética rara que representa um desafio significativo para pacientes de todas as idades. Caracterizada pela incapacidade do organismo de processar a fenilalanina, um aminoácido essencial, a condição pode levar a sérias complicações se não for tratada adequadamente.
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O tratamento principal, recomendado por especialistas, envolve uma dieta rigorosamente controlada, que restringe o consumo de laticínios, ovos, carnes e até mesmo alguns vegetais ricos em proteína, como feijão e lentilha.
A importância de intervenções precoces reside no impacto da hiperfenilalaninemia (HFA) na saúde, tanto em adultos quanto em crianças. A sepiapterina, um medicamento que age reduzindo os níveis de fenilalanina no sangue, surge como uma nova esperança.
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Estudos clínicos, como o APHENITY conduzido entre 2021 e 2023 em diversos países, incluindo o Brasil, demonstraram o potencial da sepiapterina em melhorar a qualidade de vida dos pacientes, permitindo uma alimentação mais variada e facilitando o controle da doença.
O biólogo Davi Coe Torres, pesquisador no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), ressalta que a sepiapterina não substitui totalmente o tratamento dietético, enfatizando a necessidade de acompanhamento médico e nutricional regular.
Pacientes precisam consumir suplementos nutricionais específicos, sem fenilalanina, para manter níveis seguros da substância no corpo, ajustando a quantidade conforme a capacidade de metabolização individual.
A adesão à dieta, especialmente na adolescência e na vida adulta, pode ser um desafio, afetando a rotina e a vida social dos pacientes. O Centro de Pesquisa Experimental do Einstein, liderado por Torres, se dedica a estudar doenças raras e terapia gênica, buscando soluções inovadoras para melhorar o prognóstico dos pacientes com fenilcetonúria.
O diagnóstico precoce da fenilcetonúria é crucial, especialmente para crianças, pois a alta concentração de fenilalanina pode causar danos ao cérebro em desenvolvimento. Estudos da revista DataSUS revelam que, entre 2008 e 2021, foram registrados 7.615 casos de fenilcetonúria no Brasil, com uma incidência anual de quatro a oito casos para cada 100 mil nascidos vivos.
A triagem neonatal, que consiste na coleta de amostras de sangue do calcanhar do recém-nascido, desempenha um papel fundamental na detecção precoce da doença.
A coleta é recomendada entre o segundo e o quinto dia de vida, quando o bebê já consumiu proteína suficiente para apresentar acúmulo de fenilalanina no sangue. Esse exame é importante porque a PKU geralmente não apresenta sinais visíveis no nascimento, manifestando-se após o terceiro ou quarto mês de vida, mas já pode causar danos graves ao cérebro se não for tratada a tempo.
A aprovação da Anvisa para a sepiapterina no Brasil representa um avanço significativo no tratamento da fenilcetonúria. O medicamento já está autorizado em outros países, como União Europeia, Estados Unidos e Japão, e o processo de precificação será iniciado nos próximos dias.
A PTC Therapeutics, responsável pelo fármaco, espera que o Sephience esteja apto à comercialização no Brasil após a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A distribuição do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá da avaliação do Ministério da Saúde, buscando garantir o acesso equânime aos pacientes com fenilcetonúria. O pediatra e neonatologista Allan Chiaratti de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita, enfatiza que o diagnóstico precoce permite combinar o aleitamento materno com fórmulas metabólicas isentas de fenilalanina, assegurando o crescimento e mantendo a concentração sanguínea da substância dentro dos níveis normais.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.