Senadora Aída Quilcué lidera chapa com foco em direitos indígenas na Colômbia!
A líder nasa, do Pacto Histórico, disputa a vice-presidência em 31 de maio
Aída Quilcué, uma senadora indígena do povo nasa, originária da região do Cauca no sudoeste da Colômbia, será a candidata a vice-presidente na chapa da eleição presidencial de 31 de maio. O anúncio, feito recentemente, reflete a estratégia do candidato do Pacto Histórico de priorizar lideranças com forte identificação com as bases sociais do progressismo.
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Quilcué, de 53 anos, conquistou seu assento no Senado em 2022 através da circunscrição especial indígena, uma das duas garantias de representação política para os povos indígenas no Congresso colombiano.
A trajetória de Quilcué é marcada por um compromisso profundo com a defesa dos direitos humanos, a promoção da paz e o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, especialmente em relação à terra e à autonomia política. Ela se destacou em diversas organizações indígenas, incluindo o Conselho Regional Indígena do Cauca (Cric) e a Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic), onde desempenhou papéis de liderança e representação.
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Sua atuação foi crucial na construção do capítulo étnico dos Acordos de Havana, um marco fundamental para garantir os direitos dos povos originários após o acordo de paz com as guerrilhas de esquerda.
Em 2021, Aída Quilcué recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos na categoria “Defesa por toda uma vida”, um reconhecimento da sua dedicação e impacto na luta pelos direitos indígenas. Sua eleição em 2022, com o apoio do Movimento Alternativo Indígena e Social (Mais), representou um avanço significativo para a representação indígena no Senado colombiano, onde ela se tornou a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira.
No Congresso, Quilcué se destacou na Comissão Primeira Constitucional, concentrando sua atuação em pautas relacionadas aos direitos dos povos indígenas, à agenda de paz e aos direitos humanos.
A escolha de Aída Quilcué como vice-presidente pelo candidato do Pacto Histórico, Gustavo Cepeda, sinaliza uma estratégia política clara. Reforça a coerência do projeto em torno da reivindicação de direitos e do reconhecimento da diversidade étnica e cultural da Colômbia.
Analistas políticos apontam que essa decisão demonstra a busca por uma liderança que represente o núcleo do campo progressista, em vez de buscar um nome mais moderado para dialogar com o centro político. A indicação também se alinha com a tentativa do governismo de transformar o avanço legislativo em impulso para a corrida presidencial.
A biografia de Aída Quilcué é marcada por um contexto de violência política e ameaças contra lideranças sociais e indígenas na Colômbia, especialmente na região do Cauca, onde a disputa por terra e a presença armada têm sido históricas. O assassinato de seu marido, Edwin Legarda Vásquez, em 2008, por militares, foi um ponto de inflexão em sua trajetória, impulsionando sua luta pela justiça e pelos direitos dos povos indígenas.
Apesar das ameaças e dos incidentes de segurança que ela e sua equipe enfrentaram, Quilcué continuou a defender seus princípios e a lutar por um futuro mais justo e democrático para a Colômbia.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.