Senador Ronald “Bato” dela Rosa deixa Senado em meio a tumulto e acusações do TPI
Tumulto no Senado das Filipinas: Ronald “Bato” dela Rosa, procurado pelo TPI, deixa a casa em meio a agitação e apelos nas redes sociais. Descubra os detalhes!
Político filipino procurado pelo TPI deixa Senado após tumulto
Um político importante das Filipinas, procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), não se encontra mais no Senado, conforme afirmou o presidente da casa na quinta-feira (14). Essa mudança ocorreu um dia após a agitação provocada pela possibilidade de sua prisão.
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O senador Ronald “Bato” dela Rosa, ex-chefe da polícia e figura central na controversa “guerra contra as drogas” do ex-presidente Rodrigo Duterte, é acusado de crimes contra a humanidade, os mesmos pelos quais Duterte também responde.
Dela Rosa estava sob proteção no Senado desde a noite de segunda-feira (11), mas na quarta-feira (13), sua situação se tornou caótica. Ele fez um apelo nas redes sociais, convocando seus apoiadores a se mobilizarem, alegando que agentes estavam a caminho para prendê-lo.
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O presidente do Senado, Alan Peter Cayetano, informou que o senador não estava mais no local e leu uma mensagem de texto de sua esposa, que pedia desculpas pelo tumulto causado pela presença dele.
Desafios para o governo de Marcos Jr.
A saída de dela Rosa do Senado representa um desafio significativo para a autoridade do presidente Ferdinand Marcos Jr. Seu governo não conseguiu confirmar se o senador realmente fugiu, quem estava disparando os tiros ou a identidade das pessoas que tentaram entrar no Senado.
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Marcos enfrenta uma disputa intensa com a influente família Duterte e seus aliados, e tem insistido que não ordenou a prisão de dela Rosa, que é um leal apoiador do ex-presidente.
O apelo de dela Rosa nas redes sociais resultou em um cenário caótico na quarta-feira, com uma forte presença policial e protestos do lado de fora do Senado. Mais de uma dúzia de tiros foram disparados após a convocação de uma equipe de fuzileiros navais para reforçar a segurança.
O porta-voz da polícia, Randulf Tuano, informou que as investigações estão em andamento, com cartuchos de bala e carregadores de fuzil recuperados, além da detenção de um indivíduo que forneceu nomes que estão sendo verificados.
Investigação e repercussões
O chefe do Bureau Nacional de Investigação, Melvin Matibag, mencionou que a possibilidade de o incidente ter sido encenado também está sendo considerada na investigação. O TPI divulgou um mandado de prisão contra dela Rosa na segunda-feira, datado de novembro.
Ele recorreu à Suprema Corte, argumentando que o TPI não tem jurisdição após a retirada das Filipinas do Estatuto de Roma em 2019.
Dela Rosa, que ganhou notoriedade como braço direito de Duterte, supervisionou uma repressão que resultou na morte de milhares de supostos traficantes de drogas. Grupos de direitos humanos acusam a polícia de assassinatos sistemáticos, o que é negado pelas autoridades, que afirmam que os mortos resistiram à prisão.
Ativistas acreditam que o número real de mortos pode nunca ser conhecido, devido a assassinatos misteriosos em áreas de favelas atribuídos a justiceiros e guerras de facções.
Tensão política e futuro incerto
Em uma entrevista à DZBB na quinta-feira, dela Rosa afirmou que irá “esgotar todos os recursos disponíveis” para o TPI e que, ciente das dificuldades enfrentadas por Duterte, não pretende mais lutar seu caso em Haia. Tanto ele quanto Duterte negam ter incitado a polícia a cometer assassinatos.
A tensão política aumentou desde segunda-feira, com o drama envolvendo o retorno de dela Rosa após meses escondido e o impeachment da vice-presidente Sara Duterte, filha do ex-presidente.
Marcos, que contou com o apoio da família Duterte para vencer as eleições de 2022, agora enfrenta um rompimento amargo que pode levar Rodrigo Duterte a ser julgado em Haia, tornando-se o primeiro ex-chefe de Estado asiático a enfrentar um tribunal internacional.
Sara Duterte, que está em Haia visitando seu pai, enfrenta um julgamento de impeachment no Senado, que pode comprometer sua candidatura à presidência em 2028. O tribunal de impeachment se reunirá na segunda-feira (18) e poderá se tornar um palco de confronto entre as famílias rivais, com lealistas de Marcos se opondo a aliados de Duterte.
Sara Duterte afirmou que dela Rosa poderia ser alvo de uma extradição extraordinária, comparando a situação ao que chamou de sequestro ilegal de seu pai. “O que estamos vendo agora é a administração utilizando todos os recursos do governo para destruir a oposição política”, declarou ela em comentários divulgados por seu gabinete.