“Se fosse um cidadão comum, seria decretada prisão preventiva”, afirma especialista sobre medidas contra Bolsonaro

Para Marcelo Neves, professor da UnB, a utilização de tornozeleira eletrônica é considerada “suave” em relação à seriedade das acusações.

18/07/2025 23:41

3 min

“Se fosse um cidadão comum, seria decretada prisão preventiva”, afirma especialista sobre medidas contra Bolsonaro
(Imagem de reprodução da internet).

As determinações judiciais do ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o uso de monitoramento eletrônico, regime de recolhimento noturno e restrição ao uso de redes sociais, são vistas como medidas brandas por Marcelo Neves, docente de Direito Público da Universidade de Brasília (UnB).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A ordem foi executada pela Polícia Federal na sexta-feira (18). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o especialista declara que, considerando a seriedade das alegações, existiriam indícios suficientes para uma detenção preventiva.

Acredito que a decisão é adequada, porém poderia ser mais rigorosa, se fosse preventiva, declara Neves. Ele explica que o ex-presidente está envolvido em crimes como obstrução de investigação, coagção no curso do processo, atentado à soberania nacional e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Colegas meus, muitos penalistas com quem conversei, acreditam que se um indivíduo pobre e do interior, em Cabrobó, apresentasse uma situação delicada no curso do processo, certamente seria decretada a preventiva. Ele poderia até ser um idoso com problemas de saúde e a preventiva seria decretada, compara.

De acordo com o professor, Moraes fundamentou-se n o descumprimento dessas medidas levará à prisão preventiva”, reforça.

Leia também

A Polícia Federal, em buscas autorizadas pelo STF, apreendeu nos restos mortais de Bolsonaro US$ 14 mil em dinheiro e um pen drive, encontrados em um banheiro da residência. O ex-presidente não declarara a posse de valores em espécie em nenhuma das suas campanhas eleitorais.

Neves afirma que, após a apuração da Polícia Federal, a denúncia segue para o Ministério Público. “Sendo aceita a denúncia pelo Supremo, surge um novo processo penal para averiguar esses crimes novos”, diz. “O Estado de Direito é vagaroso exatamente para garantir os nossos direitos, de qualquer pessoa, por mais condenável que seja”.

Ao comentar a situação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que conspirou contra o Brasil nos Estados Unidos em benefício do pai, Neves avalia que, ao se afastar do mandato e permanecer no exterior, ele pode perder a imunidade parlamentar. “Nesse sentido, me parece que as medidas podem, quanto a esses crimes atuais, ser aplicadas mesmo sem precisar de qualquer decisão do Congresso Nacional”, aponta.

Para audir e visualizar.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira, uma às 9h e outra às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte por: Brasil de Fato

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!