Ministro da Alemanha defende fim de pedidos de asilo sírios após fim da guerra. AfD ganha força com discurso anti-imigração. Debate sobre retorno de refugiados liderado por Thorsten Frei
O chanceler da Alemanha, representante do partido CDU (centro-direita), expressou em uma visita a Husum, no norte do país, a visão de que não há mais justificativa para pedidos de asilo de sírios, considerando o fim da guerra civil em dezembro de 2024, que culminou com a queda do regime de Bashar al-Assad e a ascensão do grupo HTS, liderado por Ahmed al-Sharaa.
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Essa posição se baseia na avaliação de que a situação na Síria, apesar da crise humanitária persistente, evoluiu para permitir a repatriação de refugiados.
O partido AfD (Alternativa para a Alemanha) tem ganhado força nas pesquisas para as eleições estaduais de 2026, impulsionado por uma plataforma anti-imigração e argumentos que consideram o Islã incompatível com a sociedade alemã. A migração tem sido uma das principais preocupações dos cidadãos alemães nos últimos anos.
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Diferentes setores da CDU, incluindo estrategistas, divergem sobre a melhor abordagem para conter o crescimento da AfD, com algumas facções defendendo políticas de asilo mais rigorosas e outras optando por um confronto direto com o partido.
A Alemanha recebeu o maior número de refugiados sírios entre os países da União Europeia durante o conflito de 14 anos. Atualmente, cerca de 1 milhão de sírios residem na Alemanha, resultado da política de acolhimento implementada durante o governo de Angela Merkel, também da CDU.
Dados da ONU indicam que aproximadamente 70% da população na Síria ainda necessita de assistência humanitária.
Em novembro de 2025, apenas 1.000 sírios retornaram ao seu país com apoio financeiro alemão. Uma parcela significativa dos refugiados possui apenas autorizações de residência temporárias. O chefe da Chancelaria, Thorsten Frei, argumentou que homens jovens muçulmanos sunitas não enfrentam riscos significativos na Síria, e que o retorno voluntário é essencial para a reconstrução do país.
Alice Weidel, co-líder da AfD, criticou a postura do ministro Johann Wadephul, que alertava sobre as condições na Síria, chamando-a de “um tapa na cara das vítimas da violência islamista”, em referência à prisão de um sírio acusado de planejar um ataque.
O debate sobre o futuro dos refugiados sírios na Alemanha continua sendo um ponto central na política nacional.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.