Saúde mental nas pequenas empresas: desafio crescente e impacto no bem-estar dos trabalhadores

A saúde mental no ambiente de trabalho e seu impacto nas pequenas empresas
A saúde mental no ambiente de trabalho se destaca como um dos principais desafios estruturais da economia brasileira, afetando especialmente micro e pequenas empresas. Com estruturas enxutas e uma capacidade limitada de lidar com crises internas, esses negócios enfrentam um cenário de crescimento acelerado e pressão constante.
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Isso torna empreendedores e seus poucos colaboradores mais vulneráveis a transtornos como ansiedade e depressão.
Os dados do Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, elaborado pelo Wellhub, revelam que 86% dos trabalhadores brasileiros consideram o bem-estar e o salário igualmente importantes. Além disso, 81% acreditam que os empregadores têm uma responsabilidade direta nesse aspecto, e 90% relataram ter apresentado sintomas de burnout no último ano.
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Nas pequenas e médias empresas, a saúde mental é diretamente afetada pela estrutura do negócio.
Impacto do crédito na saúde mental dos gestores
Um relatório da 60 Decibels, em parceria com o Fundo de Impacto Estímulo, constatou que a aprovação de pedidos de crédito proporcionava aos gestores uma sensação de maior estabilidade e esperança, com 76% deles relatando essa percepção. Mais da metade (57%) dos entrevistados afirmou que sua qualidade de vida melhorou e 70% indicaram que o crédito ajudou a reduzir o estresse, com as mulheres apresentando resultados especialmente positivos.
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As empreendedoras mostraram-se mais propensas do que os homens a relatar melhorias em suas condições de vida e uma diminuição significativa do estresse financeiro. As entrevistas foram realizadas com centenas de profissionais de pequenas empresas, que frequentemente lidam com equipes menores e múltiplas responsabilidades, sem muita margem para redistribuição de tarefas.
Investimento em saúde mental nas pequenas empresas
Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil, destaca que o potencial de retorno sobre o investimento em saúde mental e atividade física é maior nas pequenas empresas. Ele explica que, ao contrário das grandes corporações, onde iniciativas podem demorar meses para serem implementadas, nas PMEs a adesão costuma ser muito mais alta, alcançando até 90% dos colaboradores.
Isso demonstra que o impacto das iniciativas de saúde mental é sistêmico e pode transformar a empresa como um todo.
Apesar das limitações, cresce a percepção de que a saúde mental deixou de ser uma questão apenas individual e passou a ser uma preocupação estratégica. A deterioração da saúde mental afeta diretamente indicadores-chave nas PMEs, como produtividade, retenção de talentos e continuidade operacional.
A trajetória de Marilene Lima Santos e o acesso à saúde mental
A psicóloga Marilene Lima Santos exemplifica como o empreendedorismo pode impactar positivamente os negócios. Sendo a primeira mulher da família a concluir o ensino superior, ela transformou sua formação em uma iniciativa que visa ampliar o acesso ao cuidado psicológico, com efeitos que vão além do social e alcançam a dinâmica econômica.
Formada em Psicologia e mestre em Educação, História, Política e Sociedade pela PUC-SP, Marilene conciliou a docência com atendimentos clínicos, muitos voltados para pessoas sem condições financeiras.
Durante 16 anos de atuação voluntária, Marilene identificou um padrão recorrente: a dificuldade de acesso à saúde mental, não apenas entre indivíduos, mas também entre trabalhadores de pequenos negócios, onde benefícios estruturados são raros.
Em 2018, ela formalizou o Instituto Edukaleidos, que oferece atendimentos terapêuticos individuais e coletivos, gratuitos ou a preço de custo, focando em populações vulneráveis, incluindo trabalhadores informais e famílias de baixa renda.
O impacto do Instituto Edukaleidos
O Instituto atende principalmente crianças, adolescentes e pessoas neurodivergentes, contribuindo para a estabilidade emocional e social de comunidades inteiras. Além disso, desenvolve projetos que integram educação, terapia e práticas comunitárias, ampliando o conceito de cuidado além do atendimento clínico tradicional.
Experiências como a do Instituto Edukaleidos apontam para modelos híbridos de atuação que conectam impacto social e desenvolvimento econômico.
Ao ampliar o acesso à saúde mental, iniciativas como essa não apenas reduzem desigualdades, mas também fortalecem a resiliência de trabalhadores e pequenos empreendedores, que são a base da economia brasileira. A trajetória de Marilene Lima Santos evidencia a crescente relevância de que a saúde mental não é apenas uma questão social ou individual, mas um fator estratégico para a sustentabilidade das empresas, especialmente as de menor porte.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



