São Paulo em crise: Alerta com aumento alarmante de mortes de civis! 834 óbitos em 6 anos chocam o estado. Críticas à atuação policial e questionamentos sobre segurança pública. O caso Gabriel Gois expõe falhas e falta de transparência. Saiba mais!
Em 2025, o estado de São Paulo registrou um número alarmante de mortes de civis em decorrência da atuação policial, um índice que não se via há seis anos. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, 834 pessoas perderam a vida nesse período, um aumento de 725% em relação aos anos anteriores.
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Paralelamente, 30 profissionais de segurança pública foram mortos, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Esses números geraram debates acalorados e questionamentos sobre as políticas de segurança implementadas.
A Conectas Direitos Humanos apontou que a ocorrência de mortes não se restringiu a algumas regiões, mas sim se expandiu de forma generalizada. Destacaram o aumento expressivo em cidades como São José dos Campos, na Baixada Santista e em todo o estado.
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A análise do perfil das vítimas revelou que a maioria era composta por homens jovens e negros, residentes em áreas periféricas e comunidades de favela.
Um caso emblemático que alimentou as discussões foi o ocorrido envolvendo Gabriel Gois, um entregador de 22 anos. Segundo relatos, a Rota se aproximou do local onde ele estava e, sem aviso prévio, disparou contra a pessoa. A família contestou a versão de troca de tiros e afirmou que os policiais impediram a aproximação após o incidente.
A ocorrência resultou na morte de dois homens e um ferido, com corpos mantidos expostos por horas, e a família proibida de se aproximar. Esse caso expôs falhas nos procedimentos e a falta de transparência na investigação.
Carolina Diniz, coordenadora de Enfrentamento à Violência Institucional da Conectas Direitos Humanos, analisou os indicadores e apontou uma série de problemas nas diretrizes de segurança. Ela ressaltou que o cenário atual representa uma inversão de uma tendência de queda, impulsionada por gestões anteriores que adotaram políticas de controle da letalidade, como câmeras corporais com gravação ininterrupta e comissões de mitigação de risco.
A desnaturalização desses mecanismos, segundo Diniz, é acompanhada por discursos públicos que autorizam ações letais. A falta de câmeras corporais com gravação ininterrupta, que foram descontinuadas pela gestão, é um ponto central da crítica.
A situação em São Paulo reflete um problema nacional. Em 2025, o Brasil registrou mais de 6 mil mortes anuais pelo quarto período consecutivo, um patamar elevado. A operação nos complexos do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, superou o número de vítimas do massacre do Carandiru em 1992.
Os estados de Bahia e Rio de Janeiro lideraram o ranking de mortes por policiais em 2025, com 1.570 e 798 mortes, respectivamente. Em outros estados, como Pará, Paraná e Goiás, a legislação foi alterada para mascarar os dados, classificando vítimas como suspeitos de envolvimento em crimes.
A Conectas apontou que a manutenção desses índices se baseia em operações de choque, dados com baixa transparência e sistemas de responsabilização ineficientes.
Apesar da diminuição de 5% nas vítimas de homicídio doloso no estado de São Paulo entre 2024 e 2025, a pergunta persiste: por que a polícia ficou mais violenta se os outros índices não acompanham? A justificativa de que o aumento de conflitos armados explica a escalada da violência não faz sentido, segundo Diniz.
A falta de responsabilização e a criminalização de moradores de favela consolidam uma prática em que muitos governantes não têm interesse em um combate efetivo ao crime com investigação independente. A alta letalidade não resulta em redução da criminalidade, e os grupos se alimentam desses conflitos armados.
A Conectas conclui que a manutenção desses índices se baseia em operações de choque, dados com baixa transparência e sistemas de responsabilização ineficientes.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.