Primeira-ministra do Japão aborda desafios de segurança em discurso no parlamento
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, destacou a crescente “coerção” da China em seu discurso inaugural ao parlamento após as eleições. Ela se comprometeu a reformular a estratégia de defesa do país, flexibilizar as restrições às exportações militares e fortalecer as cadeias de suprimentos essenciais.
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O mandato de Takaichi, que dura quatro meses, foi marcado por sua afirmação de que a China também ameaça o território japonês. Após transformar uma frágil maioria em uma coalizão sólida, ela apresentou uma agenda voltada para enfrentar o que considera uma ameaça à segurança nacional, em colaboração com parceiros regionais.
Desafios de segurança e revisão da estratégia de defesa
Com mais de dois terços das cadeiras sob controle de sua coalizão, Takaichi enfrenta pouca resistência em seus planos. “O Japão enfrenta o ambiente de segurança mais severo e complexo desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou, referindo-se à crescente atividade militar da China, aos laços mais estreitos com a Rússia e à capacidade de mísseis nucleares da Coreia do Norte.
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Ela anunciou que o governo revisará, neste ano, os três principais documentos de segurança do Japão para desenvolver uma nova estratégia de defesa. Além disso, a revisão das normas de exportação militar será acelerada para expandir as vendas internacionais e fortalecer a indústria de defesa.
Expansão militar e fortalecimento da inteligência
Takaichi também mencionou que a China intensificou suas tentativas de alterar unilateralmente o status quo no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional. Ela deu continuidade a um programa de expansão militar iniciado em 2023, que visa dobrar os gastos com defesa do Japão para 2% do PIB até março, tornando o país um dos maiores investidores militares do mundo, mesmo com sua constituição pacifista.
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Além das questões de segurança, Takaichi propôs a criação de um conselho nacional de inteligência, que será presidido por ela, para consolidar informações de diversas agências, incluindo a polícia e o Ministério da Defesa. O Japão não possui serviços de inteligência como a CIA ou o MI5 britânico.
Revisão de investimentos e fortalecimento das cadeias de suprimentos
A primeira-ministra também sugeriu uma versão japonesa do CFIUS, que analisará investimentos estrangeiros em setores sensíveis, e anunciou que as regras sobre a compra de terras por estrangeiros serão revisadas. Ela se comprometeu a fortalecer as cadeias de suprimentos para reduzir a dependência de “países específicos” e a colaborar com aliados para garantir materiais críticos, como terras raras, em torno de Minamitori, uma ilha remota do Pacífico.
Em suas considerações finais, Takaichi afirmou: “Uma nação que não enfrenta desafios não tem futuro. A política que busca apenas proteger não pode inspirar esperança.”
