Salário Mínimo de R$ 1.621 e Seus Efeitos Fiscais
O novo salário mínimo de R$ 1.621, que entrou em vigor em 1º de janeiro, representa um avanço para os trabalhadores brasileiros, mas pode ter um impacto significativo nas contas públicas. Em entrevista ao CNN Prime Time, Alexandre Espírito Santo, coordenador de Economia da ESPM, discutiu as consequências fiscais desse reajuste.
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De acordo com o especialista, a principal questão da economia brasileira nos últimos anos tem sido a situação fiscal, que exerce pressão direta sobre o cenário econômico. “O problema não é o aumento do salário mínimo, que é positivo. O desafio está nas consequências que isso traz”, afirmou Alexandre.
Impacto nos Gastos Públicos
O economista explicou que o reajuste do salário mínimo afeta diversos benefícios que estão atrelados a ele, como o INSS, o BPC, o seguro-desemprego e o abono. “Esses fatores podem gerar um gasto adicional de mais de R$ 42 bilhões”, destacou. Esse montante representa uma pressão extra em um contexto fiscal já desafiador, especialmente em um ano eleitoral.
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Alexandre também comentou sobre o projeto de lei orçamentário recentemente aprovado, que prevê um superávit de R$ 35 bilhões. Para ele, essa meta é “mais uma peça de ficção”. “É muito provável que não consigamos alcançar esse superávit.
A previsão é de um déficit em torno de R$ 100 bilhões”, projetou.
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Perspectivas para a Taxa de Juros
Sobre a taxa de juros, o economista acredita que o Banco Central continuará sua trajetória de redução gradual da Selic. “Esperamos uma diminuição de 0,25 ponto percentual na reunião de janeiro”, afirmou. Alexandre ressaltou que o Banco Central conseguiu reancorar as expectativas inflacionárias, com o IPCA-15 de dezembro indicando que o número fechado de 2025 está dentro da meta.
Apesar disso, ele enfatizou que o Brasil ainda enfrenta a segunda maior taxa de juros real do mundo, o que atua “como um garrote, sufocando a economia”. A expectativa é que a taxa Selic termine 2026 em torno de 12% a 12,5%.
