Saeid Mollaei alerta sobre o risco das jogadoras iranianas após protesto no hino da Copa da Ásia. A luta por liberdade pode custar caro. Clique e saiba mais!
Saeid Mollaei, judoca nascido no Irã, expressou sua preocupação com a segurança das jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã, que podem enfrentar graves consequências ao retornarem para casa após se recusarem a cantar o hino nacional durante a Copa da Ásia Feminina na Austrália.
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Mollaei, medalhista de prata nos Jogos de Tóquio 2020, acredita que as atletas estão em risco. “Noventa e nove por cento, talvez 100 por cento, elas certamente não estarão seguras quando voltarem”, afirmou Mollaei em uma entrevista à CNN Sports.
O judoca ressaltou que as jogadoras estão lutando por liberdade e que suas vidas podem estar em perigo. “Talvez elas sejam mortas. Talvez elas vão para a prisão. Eu não sei”, disse ele. A preocupação com a segurança das atletas aumentou após um comentarista conservador iraniano as rotular como “desertoras” por permanecerem em silêncio durante o hino em sua partida contra a Coreia do Sul, realizada em 2 de março.
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A comunidade iraniana pediu ao governo australiano que oferecesse refúgio às jogadoras, temendo perseguições ao retornarem ao Irã.
Sete membros da equipe, incluindo seis jogadoras e um membro da equipe de apoio, receberam vistos humanitários para permanecer na Austrália. Até domingo, cinco delas deixaram o país. A Associação de Futebol do Irã informou que as jogadoras se encontrarão com o restante da equipe em Kuala Lumpur antes de retornarem ao Irã nos próximos dias.
Durante a entrevista, Mollaei elogiou as jogadoras, chamando-as de “heroínas” e destacando sua coragem ao defenderem seus ideais.
“Heróis morrem uma vez, mas covardes morrem todos os dias”, afirmou Mollaei. Ele enfatizou a importância de lutar pelo que se deseja e expressou esperança de que um dia todos possam celebrar a vitória juntos no Irã.
Mollaei, que desertou durante o campeonato mundial no Japão em 2019, compreende bem os desafios enfrentados pelos atletas que se opõem ao regime. Ele fugiu para a Alemanha após receber ordens para se retirar de uma luta semifinal, evitando um possível combate contra um adversário israelense, algo proibido para atletas iranianos.
Desde então, Mollaei se tornou cidadão da Mongólia e representou o Azerbaijão.
Ele relembra a difícil decisão que teve que tomar: “Em apenas cinco minutos, eu escolhi pela minha vida”, disse. Mollaei reconhece que a nova vida como refugiado é desafiadora, mas acredita que a força interior pode levar à superação. “Eu não posso sozinho fazer mudanças neste regime, mas estou trabalhando o tempo todo”, afirmou.
Quase sete anos após sua deserção, Mollaei não se arrepende de sua escolha, embora tenha enfrentado sacrifícios dolorosos. Ele menciona a dificuldade de manter contato com sua mãe no Irã, especialmente sob o regime atual, e lamenta não ter podido ver seu pai antes de sua morte.
A medalha de prata conquistada nos Jogos de Tóquio 2020 representa um sonho compartilhado com seus pais.
Mollaei espera que as jogadoras da seleção feminina de futebol que desertaram possam experimentar a liberdade que ele encontrou, jogando sem as restrições impostas pelo regime. Ele também expressou apoio incondicional aos atletas iranianos, independentemente do esporte.
O ex-campeão mundial mantém o desejo de retornar ao Irã sob um novo regime, embora reconheça a incerteza sobre quando isso poderá acontecer. Ele pede pressão internacional contínua sobre o governo teocrático, afirmando que o povo não pode lutar sozinho.
Ao refletir sobre seu retorno, Mollaei compartilha sua esperança: “Quando durmo à noite, quando acordo de manhã, penso que um dia eu voltarei.”
Ele acredita que, apesar das dificuldades, é possível sonhar e lutar por um futuro melhor. “Este é meu sonho. Estou pensando positivo para este sonho”, concluiu.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.