Rubens Barbosa alerta para o desinteresse crônico do Brasil em discutir defesa, destacando a falta de visão estratégica e investimentos insuficientes para 2026.
De acordo com Rubens Barbosa, presidente do Grupo Interesse Nacional e embaixador do Brasil em Washington e Londres, os governantes e o Congresso demonstram um desinteresse crônico em debater “ameaças internas e externas”. Segundo ele, isso se deve a uma razão cultural.
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Barbosa destaca que essa cultura é influenciada pelo fato de que a única guerra em que o Brasil participou foi a Guerra do Paraguai, ocorrida há quase 150 anos. Desde então, o continente não enfrentou conflitos que alterassem as fronteiras brasileiras.
No ano de 2024, o Brasil alocou 1,4% do PIB em defesa. Em contraste, a União Europeia anunciou um plano de investimento de cerca de 800 bilhões de euros em programas militares. Para 2026, o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) prevê um orçamento de R$ 135 bilhões para o Ministério da Defesa, um aumento em relação aos R$ 128 bilhões do ano anterior.
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Entretanto, esse investimento ainda não atinge a meta de gastos estabelecida. Além disso, Barbosa menciona as “sucessivas intervenções militares” na história do Brasil, que ocorreram entre 1889, ano da Proclamação da República, e 1964, quando se deu o golpe militar, totalizando 14 intervenções.
Rubens Barbosa critica a “falta de visão estratégica de médio e longo prazo” dos governos ao longo do tempo. Ele observa que o período republicano foi marcado por uma resistência em abordar o tema da defesa, que, segundo ele, está “contaminado pelo legado” da ditadura militar.
Essa situação, finaliza o embaixador, cria uma barreira psicológica que impede o Brasil de encarar a defesa como uma questão vital para o futuro do país.
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Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.