Romeu Zema provoca furor com proposta de trabalho infantil a partir de 14 anos

Declaração de Romeu Zema Sobre Trabalho Infantil Desata Debate e Críticas
A recente declaração do político Romeu Zema (Novo) sobre a possibilidade de adolescentes de 14 anos trabalharem, em resposta a questionamentos sobre o Dia do Trabalhador, gerou forte reação de especialistas e organizações de direitos da criança e do adolescente.
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Zema argumentou que “infelizmente, no Brasil, se criou a ideia de que jovem não pode trabalhar”, referindo-se a jovens de 14 anos, o que foi prontamente criticado por ir contra a legislação vigente.
A legislação brasileira, desde a promulgação da Constituição Federal em 1988, proíbe o trabalho infantil a partir dos 14 anos, estabelecendo a aprendizagem como a única forma legal de inserção de jovens estudantes no mercado de trabalho entre essa faixa etária e os 24 anos.
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A proposta de Zema, que também questiona o programa Jovem Aprendiz, demonstra uma desconexão com as leis que visam proteger os direitos das crianças e adolescentes, conforme avaliam diversos especialistas.
Riscos e Consequências do Trabalho Infantil
A crítica à declaração de Zema se baseia nos riscos inerentes ao trabalho precoce, como acidentes, traumas físicos, perda de vínculos afetivos, adultização e evasão escolar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho revelam que, em 2024, pelo menos 167 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos já estavam em situação de trabalho infantil no estado de Minas Gerais, com 52 mil inseridos em formas mais graves de exploração, incluindo a escravidão, tráfico de drogas e atividades agrícolas.
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Reações e Contrapontos
A pedagoga Marilene Cruz, coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese de Belo Horizonte, expressou sua preocupação com o cenário, destacando que, apesar das quedas nos índices nos últimos anos, o problema persiste. Ela criticou o desconhecimento demonstrado por Zema em relação à Constituição Federal, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e às leis de proteção à criança e ao adolescente.
A deputada federal Erika Hilton (Psol) rebateu a declaração do ex-governador, defendendo a necessidade de garantir que nenhum trabalhador brasileiro, incluindo adolescentes, precise trabalhar em escalas de 6×1.
Argumentos e Desmentidos
O Ministério do Trabalho e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também se manifestaram, desconstruindo os argumentos de Zema. O Ministério do Trabalho enfatizou que o trabalho infantil não é uma solução para a criminalidade e que relacionar a questão com a inserção precoce de crianças no mercado de trabalho é ignorar os direitos das crianças e adolescentes.
A OIT defendeu que o trabalho precoce não é um estágio necessário para o sucesso na vida e que o tipo de trabalho que as crianças exercem pode prejudicar seu desenvolvimento.
Evasão Escolar e Desigualdades Sociais
Além disso, dados da Mostrademonstram que a evasão escolar é uma das principais consequências do trabalho infantil, sendo um dos principais fatores que levam à evasão educacional. Estudos indicam que 41,7% dos estudantes que abandonam a escola o fazem devido à necessidade de trabalhar.
A pedagoga Marilene Cruz ressaltou que a situação afeta principalmente crianças e adolescentes de famílias com baixa renda, em especial negras e negros, que vivem em áreas periféricas, perpetuando o ciclo da pobreza.
Considerações Finais
Marilene Cruz enfatizou que a intersecção entre raça e renda em torno do trabalho infantil revela o racismo estrutural ainda presente na sociedade brasileira. Ela alertou que crianças e adolescentes que ainda não sabem ler, interpretar e escrever, que já têm tarefas e obrigações, não são prioridade absoluta.
A legislação brasileira define que o trabalho desenvolvido pela criança ou adolescente, mesmo no ambiente doméstico, se enquadra na classificação de trabalho infantil, e que a proteção desses direitos é responsabilidade de todos.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



