Romaria da Terra no Caaró: Fé, Perdão e Reconciliação!
Em Caibaté, romeiros, líderes e indígenas se uniram em ato histórico.
Revisão da história das Missões Jesuíticas e busca por justiça social.
Padre Sérgio Görgen inspira evento de memória e futuro
Realizada no Santuário do Caaró, em Caibaté, na região das Missões, a Romaria da Terra representou um momento significativo de reflexão e pedido de perdão aos povos Guarani. A atividade reuniu uma diversidade de participantes, incluindo romeiros, líderes religiosos, representantes de movimentos sociais, indígenas e autoridades locais, em uma jornada que uniu fé, a memória histórica e a busca por direitos.
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O evento, marcado por um profundo respeito à história e à cultura indígena, buscou promover um diálogo aberto sobre as violências do passado e construir um futuro mais justo e sustentável.
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A decisão de realizar a romaria no território missioneiro foi impulsionada pelo frei Sérgio Görgen, que defendia uma revisão crítica da história das Missões Jesuíticas, buscando estabelecer uma conexão com os desafios contemporâneos relacionados à terra, à ecologia integral e à justiça social.
Sua visão influenciou diretamente a organização do evento, que se propôs a reconhecer as dores e as perdas sofridas pelos povos indígenas ao longo do processo colonial. A homenagem ao frei Sérgio ao longo da programação evidenciou a importância de seu legado na defesa dos direitos dos povos originários e na promoção de uma reflexão sobre a relação entre a fé e a justiça.
O momento central da Romaria da Terra foi a caminhada com quatro paradas ao redor do Santuário do Caaró, organizada como um percurso pedagógico e espiritual. Padre Anderson Rabêlo, reitor do Santuário, explicou que cada estação foi pensada para articular memória histórica, espiritualidade e compromisso social, conectando o passado com o presente.
A jornada simbolizou um caminho de busca por justiça e reconciliação, convidando os participantes a refletir sobre as responsabilidades do presente e a construir um futuro mais justo e solidário.
Durante a romaria, diversas vozes se levantaram para relembrar a história da violência sofrida pelos povos indígenas, destacando a redução drástica da população e o silenciamento de suas experiências. O cacique Eloir Oliveira, da comunidade Guarani em Viamão, trouxe à tona dados sobre a perda de milhares de indígenas ao longo dos séculos, ressaltando que essa história não pode ser esquecida.
A participação indígena na romaria conferiu legitimidade ao gesto de contrição, evidenciando a necessidade de escutar e aprender com aqueles que sofreram as consequências do processo colonial.
A Romaria da Terra promoveu um diálogo entre a Igreja, o poder público e a sociedade civil, incentivando a reflexão sobre a história, a memória e os desafios contemporâneos. O bispo diocesano, o prefeito de Caibaté e outros líderes políticos expressaram o compromisso de a Igreja e a sociedade reconhecerem os erros do passado e apoiarem as lutas atuais dos povos indígenas.
O debate sobre a importância da justiça social, da sustentabilidade e da participação popular reforçou a ideia de que a reconciliação só é possível quando há verdade e respeito mútuo.
A Romaria da Terra se consolidou como um evento de grande relevância, promovendo a reflexão sobre a história, a memória e os desafios contemporâneos. Ao reunir diferentes atores sociais em torno de um objetivo comum, o evento contribuiu para fortalecer o diálogo, promover a justiça social e construir um futuro mais justo e sustentável para o Rio Grande do Sul.
Autor(a):
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.